terça-feira, 24 de maio de 2016

Vigésimo quarto dia da meditação do mês de Maria

dia 24 a formação da moça católica


Maria ajuda pronta e alegremente

Para o mesmo Santo, Rute foi figura de Maria. Pois seu nome significa “aquela que vê e que se apressa”. Vendo Maria nossas misérias, se apressa a fim de nos socorrer com a sua misericórdia. Novarino acrescenta que nela desconhece demoras o desejo de fazer-nos bem; e porque não é avara guardadora de suas graças, não tarda, como Mãe de misericórdia, em derramar sobre os seus servos os tesouros de sua benignidade.

Oh! Como é pronta esta boa Mãe para valer a quem a invoca! Explicando a passagem dos Cânticos (4, 5), diz Ricardo de S. Lourenço que Maria é tão veloz em exercer misericórdia para com quem lha pede, como são velozes em suas corridas os cabritos. O mesmo autor assevera-nos que a compaixão de Maria se derrama sobre quem a pede, ainda que não medeiem outras orações mais que a de uma breve Ave-Maria. Pelo que, atesta Novarino que a Santíssima Virgem não só corre, mas voa em auxílio de quantos a invocam. No exercício de sua misericórdia, ela imita a Deus, que também voa sem demora em socorro dos que o chamam, porque é fidelíssimo no cumprimento da promessa: Pedi e recebereis (Jo 16, 24). Assim afirma Novarino. Do mesmo modo procede Maria. Quando é invocada, logo está pronta para ajudar a quem a chamou em seu auxílio.

E com isso ficamos entendendo quem seja aquela mulher do Apocalipse (12, 14), a quem se deram duas grandes asas de águia para voar ao deserto. Nelas vê Ribeira o amor com que Maria se eleva sempre para Deus. mas o Beato Amadeu diz que estas asas de águia significam a presteza com que Maria, vencendo a velocidade dos serafins, socorre sempre os seus filhos.

A isto corresponde também o que lemos no Evangelho de S. Lucas. Quando Maria foi visitar S. Isabel e cumular de graças aquela família inteira, não fez a viagem como vagar, mas sim com presteza: E naqueles dias, levantando-se, Maria foi com presteza às montanhas (Lc 1, 39).

De seu regresso não lemos a mesma observação. Diz, por isso, o Cântico dos Cânticos: As suas mãos são de ouro, feitas ao torno (5, 14).

É a seguinte a explicação dada a esta passagem por Ricardo de S. Lourenço: Assim como o trabalho do torno é mais fácil e pronto que os demais, também Maria é mais pronta que todos os Santos em ajudar os seus devotos. Vivíssimo é o seu desejo de consolar-nos. Por isso apenas por ela chamamos, logo afável aceita as orações e socorre.

Tem razão S. Boaventura * ao chamá-la de saúde dos que a invocam, significando que basta invocar esta divina Mãe para ser salvo. Somente a encontram prestativa para ajudar, quantos a ela se dirigem, reza a sentença de Ricardo de S. Lourenço. Mais deseja esta grande Senhora fazer-nos favores do que nós os desejamos receber, assegura Bernardo de Busti.

Nem ainda a multidão de nossos pecados deve diminuir nossa confiança, quando nos prostramos aos pés de Maria. Ela é a Mãe de misericórdia, mas a misericórdia não tem razão de ser onde não há misérias para aliviar. Uma boa mãe não hesita em tratar de um filho coberto de chagas repugnantes, ainda que lhe custe abnegações e trabalhos, observa Ricardo de S. Lourenço. Da mesma forma também não sabe nossa boa Mãe abandonar-nos, quando por ela chamamos, por mais horripilantes que sejam os pecados de que nos precisa curar. E justamente isto quis Maria significar, quando se fez ver a S. Gertrudes, estendendo o seu manto para cobrir com ele todos os que a ela recorriam. Ao mesmo tempo entendeu a Santa que todos os Anjos tem cuidado de defender os devotos de Maria contra os assaltos do inferno.

É tal a compaixão desta boa Mãe, e tanto o amor que nos consagra que nem espera por nossas orações. “Ela se antecipa aos que a desejam” (Sb 6, 14). S. Anselmo, ao aplicar estas palavras a Maria diz: A Virgem se antecipa com seu auxílio aos desejosos de sua proteção. Devemos, pois, saber que ela nos alcança de Deus muitas graças, mesmo antes de lhas pedirmos. Por isso, segundo Ricardo de S. Vítor, dela se diz que é como a Lua (Ct 6, 9). Como esta é veloz na sua carreira, assim também Maria o é na prontidão com que atende a seus devotos. Tanto se interessa por nosso bem, que se antecipa até às nossas súplicas. Sua misericórdia é mais pronta em nos socorrer, do que nós somos pressurosos em invocá-la. A causa disto está no seu mui compassivo coração, observa Ricardo. Apenas sabe da nossa miséria, logo deixa correr o leite de sua misericórdia. É impossível a tão benigna Rainha ver a necessidade de uma alma, sem ir incontinente em seu auxílio.

Esta grande compaixão de Maria para com nossas misérias a leva a nos socorrer e consolar, mesmo quando a não invocamos. É o que nos mostrou durante sua vida, nas bodas de Caná (Jo 2, 3). A seus compassivos olhos não escapou o embaraço dos esposos que, aflitos e vexados, perceberam a falta do vinho à mesa dos convidados. Sem ser rogada, movida somente por seu piedoso coração incapaz de assistir indiferente à aflição de outros, pediu Maria a seu Filho consolasse a família. Fê-lo, expondo-lhe com singeleza a necessidade em que ela estava, dizendo: Eles não têm vinho. Então o Senhor, para valer àquela família, e mais ainda para contentar o compassivo coração de sua Mãe que o desejava, operou o célebre milagre de mudar em vinho a água das talhas. Isto comentando, conclui Novarino: Se Maria é tão pronta em ajudar, mesmo sem ser rogada, quanto mais o será para consolar, que a invoca e a chama em seu auxílio?

ORAÇÃO

Ó Mãe de Deus, Rainha dos Anjos, esperança dos homens, escutai a quem vos chama e a vós recorre. Prostrado hoje aos vossos pés, consagro-me para sempre a vós na qualidade de servo, e me obrigo a vos servir e honrar quanto posso durante o resto de minha vida. Pouco honrada sois, bem o sei, pela homenagem de um escravo tão vil e rebelde como eu, que tanto tenho ofendido a Jesus, vosso Filho e meu Redentor. Mas, se, apesar de minha indignidade, me recebeis como servo e me tornais digno pela vossa intercessão, este ato mesmo de misericórdia vos granjeará a honra que um miserável como eu vos não poderia dar.

Aceitai-me, pois, e não rejeiteis, ó minha Mãe. Para buscar as ovelhas perdidas é que o Verbo eterno desceu do céu; para salvá-las é que ele se fez vosso filho. E seríeis capaz de repelir uma ovelhinha que a vós recorre para achar a Jesus? Pago já o preço da minha salvação; meu Salvador já derramou por mim o seu divino sangue, o qual bastaria para salvar milhares de mundos. Só resta aplicar-me os merecimentos dele, e isto de vós depende. Virgem bendita, vós podeis, diz S. Bernardo, dispensar a quem vos apraz os merecimentos deste sangue. Podeis salvar a quem quereis, no-lo afirma S. Boaventura; salvai-me, ó Soberana minha. Entrego-vos, neste instante, toda a minha alma; tratai de salvá-la. Ó salvação dos que vos invocam, direi, terminando, com o mesmo Santo, salvai-me!

Trecho da meditação é retirado do livro “Glórias de Maria”, de Santo Afonso de Ligório.

Parte I, explicação da Salve Rainha – As abundantes e numerosas graças dispensadas pela Mãe de Deus aos que a servem devotamente.

Cap. IV A vós bradamos, os degredados filhos de Eva. I. Da prontidão de Maria em socorrer os que a invocam

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