terça-feira, 13 de agosto de 2013

A idolatria do dinheiro






A idolatria do dinheiro

“A cobiça de possuir (πλεονεξία) é uma idolatria” (Col 3, 5). Esta expressão de São Paulo resume de forma clara e lapidar a razão pela qual a Igreja católica sempre considerou com muita suspeita as “teologias da prosperidade”.

“Não podeis servir a Deus e a Mamona” (Lc 16, 13).

A palavra Mamona (μαμωνᾶς, do caldeu מָאמונָא) tem sua raiz no verbo confirmar, apoiar, sustentar (אָמַן), de onde vem a expressão “amém”, algo no qual eu posso confiar, a rocha firme de nossa vida. Aqui então se encontra a raiz mais terrível de nosso apego ao dinheiro: colocar a nossa fé no dinheiro e não em Deus.São Máximo, o Confessor, (580-662) recorda:

“Existem três causas para o amor ao dinheiro:
a) o gosto pelo prazer (φιληδονία),
b) a vaidade (κενοδοξία)
c) e a falta de fé (ἀπιστία).
Mas a mais grave é a falta de fé” (Centúrias sobre Caridade, III, 17).

O apego a este mundo é um grande empecilho para nosso encontro com Deus: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus!” (Lc 18, 24).

Podemos até ser salvos, embora sejamos apegados. Mas só entrará no céu aqueles que, pelo menos no purgatório, se livrarem de amor desordenado.

A virtude da liberalidade é a que combate este tipo de miséria. O virtuosos se “liberou” dos tormentos da avareza.

A insensatez da avareza se revela em todas as fases da vida de quem é apegado aos bens materiais: sofrimento para adquirir, medo ao conserva e dor ao perder. Mas, como recorda Jesus na parábola do evangelho, esta loucura culmina no momento da morte quando, ao temor de uma possível condenação eterna, se acrescenta a dor de ver os seus bens queridos mudarem de dono.

Procuramos então a cura desta terrível doença numa séria meditação sobre a morte e sobre a transitoriedade desta vida e com o sério exercício da doação em favor dos mais necessitados. T

Um comentário:

  1. Obrigado pela reflexão sobre este sistema de pura idolatria como o texto realmente explica. Porém, esta noção de purgatório como um espaço de purificação e oportunidade para uma melhoria, custa-me assimilar.

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