Razões da confiança em Deus: A Encarnação do Verbo

O sábio constrói a casa sobre o rochedo: nem inundações, nem chuvas, nem tempestades a poderão lançar por terra. Para que o edifício da nossa confiança resista a todas as provas, preciso é que se eleve sobre bases inabaláveis.
"Quereis saber, diz São Francisco de Sales, que fundamento deve ter a nossa confiança? Deve basear-se na infinita bondade de Deus e nos méritos da Morte e da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, com essa condição de nossa parte: a firme e total resolução de sermos inteiramente de Deus e de nos abandonarmos completamente e sem reservas à sua Providência" (Les vrais entretiens spirituels. Ed. de Annecy, t.VI, p.30).
As razões de esperança são demasiado numerosas para que possamos citá-las todas. Examinaremos aqui somente as que nos são fornecidas pela Encarnação do Verbo e pela Pessoa sagrada do Salvador. De resto, é Cristo em verdade a pedra angular (Atos IV, 11) sobre a qual principalmente deve apoiar-se a nossa vida interior.
Que confiança nos inspiraria o mistério da Encarnação, se nos esforçássemos por estudá-lo de maneira menos superficial!
Quem é essa criança que chora no presépio, quem é esse adolescente que trabalha na oficina de Nazaré, esse pregador que entusiasma as multidões, esse taumaturgo que opera prodígios sem conta, essa vítima inocente que morre na Cruz?
É o Filho do Altíssimo, eterno e Deus como o Pai... é o Emanuel desde tanto tempo esperado; é Aquele que o Profeta chama: o Admirável, o Deus forte, o Príncipe da paz(Isaías IX, 6).
Mas Jesus - disto nos esquecemos frequentemente - é nossa propriedade. Em todo o rigor do terno, Ele nos pertence; é nosso; temos sobre Ele direitos imprescritíveis, pois o Pai celeste no-Lo deu. A Escritura assim o afirma: O Filho de Deus nos foi dado (Isaías IX, 6).
E São João, em seu Evangelho, diz também: Deus amou tanto o mundo, que lhe deu seu Filho único (João III, 16).
Ora, se Cristo nos pertence, os méritos infinitos de seus trabalhos, de seus sofrimentos e da sua morte nos pertencem também. Sendo assim, como poderíamos perder a coragem? Entregando-no o Filho, o Pai do Céu nos deu a plenitude de todos os bens. Saibamos explorar largamente esse precioso tesouro.
Dirijamo-nos, pois, aos Céus com santa audácia; e, em nome desse Redentor que é nosso, imploremos sem hesitar, as graças que desejamos. Peçamos as bençãos temporais e sobretudo o socorro da graça; para a nossa Pátria solicitemos a Paz e a prosperidade; para a Igreja, calma e liberdade.
Essa oração será certamente atendida.
Assim agindo, não fazemos nós os negócios com Deus? Em troca dos bens desejados, oferecemos-Lhe o seu próprio Filho unigênito. E nessa transação Deus não pode ser enganado: dar-Lhe-emos infinitamente mais do que dEle recebemos.
Essa oração, pois, se a fizermos com a fé que transporta montanhas, será de tal sorte eficaz que obterá, se preciso for, mesmo os prodígios mais extraordinários.
* Padre Thomas de Saint Laurent. O livro da confiança.

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