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PAIXÃO QUE NOS LEVA A HUMILDADE

Estamos na semana chamada santa. Nesse período, na sua grande maioria, as igrejas cristãs comemoram, lembram, dramatizam, pregam, ensinam acerca dos últimos momentos de vida de nosso Senhor Jesus, sua morte e ressurreição. A chamada “paixão de Cristo” vira tema de mensagens pastorais, cantatas de corais e outras coisas semelhantes que tentam incutir nos fiéis o senso de importância desses acontecimentos relacionados a Jesus. São feitos apelos para consagração àquele que sofreu profundamente, de todas as formas possíveis,  para que hoje tivéssemos vida. Da mesma sorte aos que não tem a Cristo como Senhor e Salvador pessoal, em meio à degustação de ovos de chocolate e bombons, é feito o convite para que comecem um relacionamento com esse Jesus que morreu, mas ressuscitou e está vivo e ativo para salvar todos quanto confiem e confessem Seu nome.
Durante os sete dias dessa semana que culmina com sua morte na sexta-feira e sua ressurreição no domingo homens e mulheres, adultos e crianças, católicos protestantes relembram o caminho, a via crucis que o Salvador teve que enfrentar para que você e eu, hoje, pudéssemos ter acesso ao Abba de Jesus. No entanto, diante da aproximação da data religiosa conhecida como Páscoa, desejo chamar a atenção e refletir com você acerca de um evento que precedeu a semana de sofrimento de nosso Mestre.
Esse acontecimento na vida de Jesus e de seus discípulos ficou registrado por um de seus apóstolos, João. No capítulo 13 de seu evangelho encontramos uma narrativa intrigante, desconcertante acerca de uma atitude que Jesus teve para com seus seguidores.
(3) Jesus sabia que o  Pai havia colocado todas as coisas  debaixo do seu poder , e que viera de Deus e estava voltando para Deus;
(4) assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura.
(5) Depois disso, derramou água numa bacia  e começou a lavar os pés de seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura.
É uma descrição apaixonante que arrebata nossos corações em adoração ao humilde Redentor de nossas almas. Como passamos batido, muitas das vezes, por esse texto ao invés de fazermos uma pausa para meditarmos e ouvirmos sua mensagem para nós. João nos escreve que em certo momento de uma reunião entre Jesus e seus aprendizes, próxima ao dia da Páscoa, o Senhor tirou sua capa, se vestiu com uma toalha envolta da cintura, colocou água em uma bacia e passou a lavar os pés dos apóstolos. Era o costume naquela época que toda casa tivesse um criado que, ao chegar um visitante, lhe lavasse os pés. Era uma forma de dizer “seja bem-vindo”. Jesus então se veste como um criado, e passa a desenvolver a função de um servo daqueles dias. O Senhor servindo aos servos. O criador do universo lavando e refrescando os pés cansados e empoeirados pela viagem, de suas criaturas. Tudo isso porque, segundo ele mesmo, não veio para ser servido, mas, para servir. O evento da páscoa – paixão, morte e ressurreição – foi precedido por uma das maiores demonstrações de amor e humildade de toda a vida de Jesus. Meu Deus! Cristo preparou-se para toda a humilhação e morte que iria experimentar servindo o próximo em amor. Isso é algo que realmente transcende todo e qualquer padrão humano de comportamento.
A atitude desconcertante de Jesus encerra para nós um grande significado. Nos convida à reflexão e uma resposta concreta diante de seu exemplo. Sim! O que ele fez foi um exemplo.
(14) Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros.
(15) Eu lhes dei o exemplo, para que vocês  façam como eu fiz.
A iminência do dia da Páscoa nos leva a questionar como temos nos portado perante nosso próximo. Á luz do que Jesus fez temos desejado ser servidos ou servir em amor? Não podemos negar o fato assustador de que entre os que Cristo lavou os pés estava Judas Iscariotes, aquele que iria traí-lo. Jesus já o sabia e mesmo assim não se recusou a fazer por Judas o que estava fazendo pelos outros discípulos. A vinda da Páscoa nos convida a lavarmos os pés dos nossos inimigos, dos que nos perseguem, daqueles que nos ofenderam e machucaram profundamente, através do perdão. 
Páscoa é uma oportunidade de seguirmos a Cristo rumo ao calvário da morte do nosso “EU” egoísta, por meio do serviço abnegado em amor ao próximo.
Páscoa é uma oportunidade de refletir e exercer a humildade que considerar os outros superiores a si mesmo.
Páscoa é um oportunidade de liberar o perdão que cura as feridas e nos concede a oportunidade de escrever uma nova página da história, nossa e deles.
Que possamos refletir sobre essas coisas e darmos lugar ao Espírito de Cristo que nos leva à mesa da ceia para partilharmos do corpo e bebermos do sangue. Que ele desperte em nós uma paixão cristificante que conduza-nos a uma atitude de humildade semelhante a  de Jesus.
Feliz páscoa!

https://vidacontemplativa.wordpress.com/2012/04/03/paixao-que-nos-leva-a-humildade/

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"São Bernardo diz que converteu mais almas por meio da Ave-Maria, do que através de todos os seus sermões" (São João Maria Vianney)

"Agradecemos a Nossa Senhora, pois foi ela quem nos trouxe Jesus. (São Pio de Pietrelcina)

"Jamais de ouviu dizer no mundo que alguém tenha recorrido com confiança a esta Mãe Celeste, sem que não tenha sido prontamente atendido" (Dom Bosco)

"Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria, para que nisto conhecêssemos que tudo o que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós" (São Boaventura)

"A maior alegria que podemos dar a Maria Santíssima é a de levarmos Jesus Eucarístico no nosso peito" (Santo Hilário)

"Sabemos muito bem que a Virgem Santíssima é a Rainha do Céu e da Terra, mas ela é mais Mãe que Rainha" (Santa Terezinha do Menino Jesu…

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"Nossa Senhora, nossa mãe divina, precisamos de vosso auxílio e proteção mas uma vez. Vós que sofrestes a grande dor de perder vosso Filho, fazei-nos resignados perante os desígnios de Deus, ajudai-nos a descobrir o sentido da vida e da morte. Ajudai-nos a ter fé, a conversar com Deus e escutá-lo. Ó querida Mãe, abri vossos braços e abraçai...(fala-se o nome do enfermo) e concedei-lhe uma morte iluminada por Deus. Pedi a Deus que perdoe todas as suas faltas e seja misericordioso, socorrendo-o (a) na passagem para a vida eterna. Fazei-o (a) merecedora (o) na passagem da vida eterna junto a vós e a Jesus, seu Filho amado. Nossa Senhora da Boa Morte, peço-vos a graça de nos dar a força necessária para assumir, com amor, as horas difíceis a serem enfrentadas, aceitando a vontade de Deus, seus desígnios eternos e impenetráveis. Amém.
(Elam de Almeida Pimenttel)