quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O silêncio de Maria



A Santíssima Virgem Maria avançou no caminho da fé, e conservou fielmente a união com seu filho até a cruz, junto da qual, por desígnio de Deus, se manteve de pé (LG 58).

A virtude de Maria que é mais explicitada nas Escrituras é o silêncio. Às demais, o leitor e o pesquisador são levados a intuir, a concluir. Sobre o silêncio não. Em mais de uma oportunidade o hagiógrafo afirma claramente ...Maria guardava fielmente essas coisas no silêncio de seu coração (cf. Lc 2, 19. 51)

Esse silêncio é outro exemplo que conseguimos colher, através da imagem da porta que teria ficado aberta. Maria nunca perguntou mais que o necessário; jamais tentou negociar, ou sair pela tangente. Mesmo sem conhecer o magnífico projeto, do qual fazia parte, sempre confiou, sempre se entregou e se deixou levar por sua fé e sua exemplar disponibilidade. A doação de Maria foi benéfica à encarnação. É de São Metódio († 884), o apóstolo dos eslavos um texto que aborda o rico conteúdo da participação de Maria no mistério da salvação: Todos os homens, Senhor, te são devedores, mas tu és devedor a uma mulher que na sua pobreza recebeu o teu Verbo, enriquecendo a humanidade toda. Por isso muitos declaram Maria co-autora da salvação. Hoje, inexplicavelmente, alguns teólogos e escritores modernos, especialmente da Europa, tentam pintar Maria como uma menina bobinha, alienada e sem vontade própria. Eles estão enganados! Embora uma adolescente, a fé que trazia em seu coração, a confiança que depositava em seu Deus, tornava-a adulta em determinação e coragem para decidir, e essas virtudes, entre tantas outras, valeram-lhe o título de bem-aventurada (cf. Lc 1, 42). Como afirma Carmen Galvão, "gloriosa no céu, ela atua na terra, participando do reinado do ressuscitado, cuidando com amor materno de nós, irmãos de seu filho amado, enquanto ainda peregrinamos nesta vida (...) Maria é a mulher admirável, cuja missão de mãe, amiga e defensora, perpassa os tempos, e sua imagem é encontrada nas Sagradas Escrituras desde o Gênese até o Apocalipse. De fato Maria falou pouco. Ela age até hoje!" (in: Tempo de Libertação. Ed. Paulinas, 1994).

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