Nossa Senhora e São Maximiliano Kolbe

Para uma boa mãe, nenhum detalhe relacionado com seus filhos é pequeno. Para a Santíssima Virgem Maria, nossa soberana Mãe, muito mais ainda.

·         Valdis Grinsteins
Não deixa de ser lamentável a deformação da idéia que habitualmente se faz de um santo. Muitos acham que santo é simplesmente uma pessoa um pouco melhor do que os demais homens. Outros acham que santo é quem faz milagre. Além disso, ser bom é um critério sumamente vago. Por exemplo, já tenho visto pessoas “canonizarem” outras, só porque iam todos os dias à missa, ou porque rezavam mais do que os outros. Que isso possa ser louvável, ninguém o nega. Daí inferir-se que essas pessoas tenham alcançado o patamar da santificação...
Pela doutrina católica, a santidade é a prática heróica das virtudes. É bom notar que não se trata só de praticar todas as virtudes, mas de praticá-las num grau heróico. Já o praticar todas as virtudes (castidade, paciência, fé, fortaleza, caridade, etc.) é difícil. Fazê-lo de forma heróica seria algo fora de nossas possibilidades naturais, se não contássemos com a graça de Deus, que nunca falta.
O "advogado do diabo"
Quando se abre a causa de beatificação e canonização de uma pessoa, é nomeado um personagem popularmente conhecido como “advogado do diabo”. Sua missão é descobrir, na vida do candidato a santo, fatos, atitudes ou idéias que o tornem não merecedor dessa honra. Para isso, ele levanta detalhes que nos pareceriam mínimos, ou até ridículos. Mas são detalhes que podem esconder falhas de virtude, indicando que a pessoa não é santa.
Por exemplo, o “advogado do diabo” na causa do Beato Stefano Bellesini levantou o ponto de ele, sacerdote reconhecidamente afável com todos, ter entrado em sua casa, onde sua irmã se encontrava com um pequeno grupo de amigas, e sem cumprimentar ninguém, ter subido correndo ao primeiro andar. Na realidade, ao invés de um ato de grosseria, ele havia praticado um ato de virtude, pois acabara de fazer uma obra de caridade, trocando pela calça rota de um pobre a que usava por debaixo da batina, e não queria aparecer diante das senhoras com a calça esfarrapada. Ele pensou que isso poderia escandalizar as senhoras. Assim, subiu primeiro a seu quarto, a fim de trocar-se. Mas o advogado do diabo pegou esse pontinho de falta de caridade (não saudar as amigas da irmã, reunidas em casa) para tentar impedir a beatificação.
Qual a importância desse pontinho? As grandes faltas começam muitas vezes por pequenas transgressões. Ninguém normalmente se torna ladrão de bancos sem antes roubar pequenas coisas de amigos e vizinhos. Da mesma forma, uma descortesia pode perfeitamente indicar grave defeito de caráter, como falta de paciência ou desprezo pelos outros, neste caso falta de caridade. Não podemos imaginar um verdadeiro santo que seja temperamental, dando ponta-pés nas portas ou dizendo palavras ofensivas, pois esses são sinais de impaciência, e portanto o problema da falta de virtude é maior. Mas a partir de uma pequena descortesia, como no exemplo citado, pode-se perfeitamente chegar a tudo isso.
Muitas vezes, para formar bem uma pessoa, devemos corrigir esses pequenos defeitos, pois eles são o indício de outros maiores. Se queremos frear a impaciência de alguém, começaremos por corrigir nele o costume de resmungar, por exemplo. Se queremos corrigir sua preguiça, podemos começar corrigindo sua demora no cumprir o dever. E é esse desejo de corrigir pequenos defeitos que nos conduz ao assunto que nos propusemos, de analisar a história da aparição da Virgem a São Maximiliano Kolbe.
Menino que gostava de brincar
São Maximiliano Kolbe no campo de concentração nazista
São Maximiliano Kolbe é um dos mais conhecidos santos do século XX. Conseguiu realizar obras extraordinárias, até mesmo fundar uma cidade dedicada à Virgem Imaculada. Sua influência sente-se ainda na vida cotidiana da Polônia, país onde nasceu.
Mas a santidade é um caminho difícil. É preciso vencer as propensões más com que nascemos, e São Maximiliano tinha, quando menino, um defeito muito definido: gostava demasiado de brincar. Era uma criança muito viva e alegre. A mãe insistia que ele chegasse num determinado horário em casa. Mas ele violava com freqüência esse limite de tempo. Um defeito sem importância? Não, porque subjacente a ele encontra-se uma grave falta de obediência. E para um futuro sacerdote franciscano, chamado a praticar o tão difícil voto de obediência, isso não era bom. A mãe, sumamente religiosa e perspicaz, deu-se conta da futura gravidade que poderia adquirir esse pequeno defeito. Certo dia, quando ele tinha 10 anos, chegou especialmente atrasado em casa, devido a brincadeiras com seus amigos. A genitora então decidiu chamar-lhe a atenção. De modo firme, porém com carinho, mostrou-se desgostosa com ele, e no final perguntou-lhe: “Meu pequeno, o que vai ser de você?”. O futuro santo nada disse, e retirou-se.
Corrigido por Nossa Senhora
Pareceria que tudo continuaria como antes, mas o menino mudou radicalmente. Ele já era religioso, e tornou-se muito mais. Foi progredindo na virtude, e depois entrou na Ordem dos franciscanos conventuais. Tornou-se um dos grandes promotores da devoção à Imaculada Conceição, e morreu mártir da brutalidade nazista em Auschwitz, onde ainda se visita a cela — que tive a graça de conhecer — onde ele foi martirizado.
Nossa Senhora apresenta as duas coroas a São Maximiliano
Ele nunca contou que Nossa Senhora lhe tinha aparecido, exceto à mãe. E foi ela que revelou o fato, numa carta escrita a 12 de outubro de 1941, após a morte do filho:
“A verdade é que não pensei mais nisso, mas observei que o menino mudou de comportamento, a ponto de não se poder mais reconhecê-lo. Tínhamos um pequeno altar escondido, junto ao qual ele se recolhia sem se fazer notar, e nele rezava chorando. Mostrava-se superior à sua idade, pelo seu comportamento habitualmente recolhido. Quando rezava, chorava. Isso me preocupou: estaria por acaso doente? Portanto, perguntei-lhe: o que acontece com você, meu filho? E comecei a insistir, dizendo: à mãe você deve contar tudo.
“Tremendo de emoção, e com lágrimas nos olhos, ele me contou o segredo: ‘Quando a senhora me perguntou, mamãe, o que iria ser de mim, rezei muito a Nossa Senhora para Ela me dizer o que seria de mim. Em seguida, indo à igreja, rezei novamente. Então Ela me apareceu, tendo nas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha. Olhava-me com afeto, e me perguntou se queria essas coroas. A branca significava que perseveraria na prática da pureza; a vermelha, que eu seria mártir. Respondi que as queria. Então a Virgem me olhou docemente e desapareceu. Desde então, quando vou à igreja com a senhora ou com meu avô, parece-me que não são minha mãe e avô, mas Nossa Senhora e São José’.
“A mudança extraordinária que houve no meu filho comprovava a veracidade do fato. Ele estava seguro de que morreria mártir, e sempre tinha a face radiante quando lhe vinha essa idéia. Eu já sabia que meu filho seria mártir, e por isso estava preparada, como Nossa Senhora depois da profecia de Simeão”.(*)
Lindo episódio, que nos mostra como Nossa Senhora se preocupa por nossos menores problemas. Pois, para uma verdadeira mãe, nada do que diz respeito a seus filhos é pequeno. Peçamos à Virgem Santíssima ajuda para corrigir todos os nossos defeitos, grandes ou pequenos, e Ela com certeza nos ajudará.
Nota:
*Paola Giovetti, Le apparizioni della Vergine Maria, Ed. San Pablo, Milano, 1996, p. 184.


http://catolicismo.com.br/materia/materia.cfm?IDmat=A3026135-D839-D1B3-D7C9E73500BDFB37&mes=Maio2008

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