sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Como a Virgem Maria pode te ajudar a enfrentar qualquer sofrimento

 



O coração de Maria foi aberto pela dor. Agora, ela intercede e conforta todos aqueles sofredores que recorrem a ela

Dor, sofrimento e provações são difíceis de suportar, ainda mais quando você está sozinho. Nós precisamos dos outros para nos ajudar a carregar os pesados ​​fardos da vida.

Quem está sempre disponível para nós é a Virgem Maria. Ela pode não estar fisicamente ao nosso lado, mas tem uma presença espiritual que nos conforta em momentos de aflição.

Santo Afonso de Ligório escreve em seu livro “Glórias de Maria” sobre como confiar na Virgem Maria quando estamos passando por maus momentos:

“Quando as nossas cruzes pesam sobre nós, recorramos a Maria que é chamada pela igreja de Consoladora dos aflitos e por São João Damasceno o Remédio para todas as dores do coração.”

Ela sofreu muito durante seu curto período na terra, uma dor que era difícil de suportar. O profeta Simeão proclamou a ela, “tu mesma uma espada trespassará, para que os pensamentos de muitos corações sejam revelados” (Lucas 2,35).

Seu coração foi aberto pela dor que ela experimentou, e agora ela intercede e conforta todos aqueles que recorrem a ela. Santo Afonso conclui sua meditação com uma breve oração à Virgem Maria, pedindo-lhe ajuda para suportar qualquer cruz:

“Ah, minha doce senhora, tu, inocente, sofreste com tanta paciência. Minha Mãe, eu agora te peço não para ser libertado das cruzes, mas para suportá-las com paciência. Por amor de Jesus, peço-te que obtenha pelo menos esta graça de Deus para mim. Amém”. 


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quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Em que momento a pessoa perde a alma?

 WOMAN,CEMETERY

A história da mulher que encontrou uma caverna cheia de tesouros e uma reflexão sobre a salvação eterna

Esta pergunta pode ter dois sentidos: não sei se o leitor pergunta pela perda ou morte da alma, da vida espiritual, ou se pergunta pelo momento da morte corporal ou biológica.

No caso da morte corporal ou biológica, o que se verifica é somente o cessar da atividade cerebral (fundamento da alma racional), causada muitas vezes pela interrupção do funcionamento dos órgãos vitais.

Em que momento exato isso acontece? Como verificar os sinais? A morte biológica é uma dissolução. E o momento de tal dissolução não é diretamente perceptível; então, a questão é identificar os sinais.

A constatação e interpretação destes sinais não compete à fé nem à moral, mas sim à ciência médica. Corresponde ao médico dar uma definição clara e precisa da morte e do momento em que ela ocorreu.

De qualquer maneira, a fé cristã afirma a persistência, para além da morte, do princípio espiritual do ser humano. A fé alimenta no cristão a esperança de “reencontrar” sua integridade pessoal (espírito, alma, corpo) transfigurada e definitivamente possuída em Cristo (cf. 1 Cor 15, 22).

No caso da morte da alma, uma coisa é certa: a única maneira pela qual se pode perder a alma é o distanciamento pleno e definitivo de Deus devido ao pecado grave ou mortal, o que se conhece como morte espiritual ou, o que é a mesma coisa, a perda da vida de Deus em nós, a perda da graça santificante.

Jesus disse: “Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?” (Mc 8, 36-37). Com estas palavras, o Senhor nos adverte sobre o objetivo central da nossa existência: a salvação.

O mundo e os bens materiais nunca são um fim último para o homem, nem sequer o bem temporal – que os cristãos têm a obrigação de buscar.

“O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis.” (Catecismo da Igreja Católica, 1861)

Recordemos que “Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva” (Ez 18, 23).

Existe um conto interessante a propósito disso: uma mulher pobre, com seu filho pequeno no colo, passava na frente de uma caverna quando escutou uma voz misteriosa que lhe dizia lá de dentro: “Entre e pegue tudo o que você quiser, mas não se esqueça do principal. Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do mais importante”.

A mulher entrou toda trêmula na caverna e lá encontrou muito ouro e pedras preciosas. Então, fascinada pelas joias, colocou seu filho no chão por um instante e começou a pegar, ansiosamente, tudo o que coube no seu avental.

De repente, a voz falou outra vez: “Restam-lhe apenas cinco minutos”. A mulher, apressada, continuou pegando tudo o que podia. Finalmente, carregada de ouro e pedras preciosas, correu e chegou à entrada da caverna, quando a porta já estava se fechando. E então a porta se fechou.

Nesse momento, a mulher se lembrou de que seu filho havia ficado dentro da caverna. Mas a porta já estava fechada para sempre! A alegria da riqueza desapareceu imediatamente, e a angústia e o desespero a fizeram chorar amargamente.

Temos alguns anos para viver neste mundo e quase sempre deixamos de lado o principal! O que é essencial nesta vida? Deus, sua vida de graça, seus valores morais e espirituais, a família, os filhos, a harmonia com Deus e com o próximo.

É triste ver que muitos arriscam sua salvação eterna e sua própria felicidade aqui na terra por coisas que não têm valor algum. De que adianta viver somente para satisfazer todas as ambições humanas? De que adianta ter tudo e esquecer de Deus, se tudo vai acabar, se tudo vai afundar e pode levar à perda de Deus para sempre?

Enquanto peregrinamos nesta vida, temos a esperança de recuperar a vida de Deus em nós. Cada um sabe se perdeu ou não sua vida ou alma espiritual. Se a perdeu, sabe também quando isso aconteceu. Mas é Deus, no juízo final, quem confirmará isso.

Recordemos que a vida passa rápido demais e a morte biológica chega de surpresa, inesperadamente. Quando a porta desta vida se fechar para nós, não adiantará nada lamentar-se. Pensemos nisso por um momento e não desperdicemos este convite de Deus.


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Qual é a diferença entre vida espiritual e vida racional?

 

O espírito é imortal, mas a vida racional acaba com a morte cerebral, ainda que os órgãos vitais possam continuar funcionando mecanicamente

(Este texto complementa a resposta dada no artigo “Em que momento a pessoa perde a alma?“)

Jesus disse: “Eu vim para que as tenham vida, e vida em abundância” (cf. Jo 10, 10) e “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (cf. Jo 14, 6). Em outras palavras, Jesus é vida e dá a vida. Mas que tipo de vida? A vida espiritual, a vida sobrenatural, que é a riqueza, força e vida do nosso espírito.

Quem não recebe Jesus ou a graça santificante (a vida sobrenatural), não tem vida espiritual; só tem vida física, sustentada pela vida ou alma racional.

Nosso espírito ou vida espiritual, que é imortal, é algo muito diferente da nossa vida racional, que termina com a morte cerebral, ainda que os órgãos vitais possam continuar funcionando mecanicamente.

São Paulo nomeia os três elementos do ser humano em 1 Tessalonicenses 5, 23: espírito, alma e corpo.

A Bíblia utiliza o termo “psyché”, “alma”, como a condição vivente do corpo. Alguns traduzem a ‘”psyché” bíblica simplesmente como “vida”.

Recordemos que todos os seres vivos, pelo fato de estarem vivos, têm algo que os anima: são seres animados. Os animais têm vida irracional, as plantas têm vida vegetal e os seres humanos têm vida racional.


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Como Jesus acalma nossos medos?

 Christ in Gethsemane

Cristo toca, se envolve, motiva e nos dá paz, com seu poder que vence a dor e a morte

Jesus nos dá luz, faz-nos vencer o medo. Muitas vezes ele se aproxima dos discípulos que têm medo, porque não controlam a situação, porque não sabem o que fazer. Jesus sempre se aproxima da pessoa. Não espera. Toma a iniciativa, aproxima-se e se envolve com a vida dos homens. Ele se fez Homem para aproximar-se, não para isolar-se do mundo.

Mas, além de aproximar-se, Ele nos toca. Jesus toca em muitos momentos da vida. Toca o doente, o ferido, o moribundo. Toca e cura, dá a vida, devolve a saúde. Tocar é um gesto muito próprio do Senhor. Ele sempre toca. Impõe as mãos, levanta quem caiu, carrega o doente. Quem toca se envolve.

Jesus toca para acalmar os discípulos. É um gesto de carinho, de compreensão. É como se Ele estivesse lhes dizendo que não vai abandoná-los, que estará sempre ao seu lado.

Também lhes pede que se levantem e que não temam. Jesus pede isso a nós também. Quer que nos levantemos, que estejamos dispostos a dar a vida, corajosos, vencendo o temor. Não quer que tenhamos medo da vida, da entrega, do caminho.

Mas a verdade é que o medo é forte. Tudo o que não controlamos e desconhecemos nos assusta. Temos medo da morte e da doença. De fracassar e perder. Temos medo de que os sonhos se desmoronem, que o rumo da nossa vida mude subitamente por algum motivo incontrolável.

Claro, estas palavras são para nós que vivemos com medo. Jesus nos toca hoje e nos diz: “Não tema, levante-se”. Quer que vamos com Ele, de mãos dadas, até onde Ele quiser. Quer que não nos assustemos ao pensar no futuro e que saibamos caminhar ao seu lado sem mais proteção.

O temor pode chegar a paralisar-nos. É necessário, então, confiar no poder de Cristo. Bento XVI dizia: “Só o poder que está sob a bênção de Deus pode ser digno de confiança. Jesus tem esse poder enquanto ressuscitado, isto é, este poder pressupõe a cruz, pressupõe a morte. Pressupõe o outro monte, o Gólgota, onde morreu pregado na cruz, escarnecido pelos homens e abandonado pelos seus. O Reino de Cristo é diferente dos reinos da terra e do seu esplendor”.

É o poder daquele que vence a dor e a morte, daquele que dá paz à alma. Cristo vivo, ressuscitado, nos dá seu poder e sua paz.

Em seu poder nós podemos confiar. Mas como nos custa confiar no Senhor! Seu poder não é reconhecível, não podemos tocá-lo. Não distinguimos sua mão protegendo e tocando, não percebemos seu abraço consolador. Sentimo-nos sozinhos no meio da batalha e então o medo nos invade. Onde está sua vitória?

Sua forma de vencer não é a nossa. A sua vem da pobreza e do invisível, de onde o homem não pode se gloriar do seu próprio poder, onde suas forças não alcançam e ele experimenta a fraqueza. Lá, no Gólgota, encontra-se o caminho da vida.


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Oração para os momentos em que você não sente Deus

 


Quando a vida espiritual está difícil e seca como o deserto, o melhor caminho ainda é dirigir-se a Deus

Abbà, meu Pai,
Vós vos escondestes
na escuridão que há após a luz.
O sorriso do vosso Filho
se desvanece da minha memória
e o vento do vosso Espírito
é agora uma leve brisa que mal sinto.
Tudo o que me resta é matéria e forma,
ícones e palavras.
Sinto-me como o inverno
que vejo pela janela do meu coração.
Minha alma passa por este inverno.

Abbà, meu Pai,
eu ainda creio em Vós.
Ainda combato convosco,
mesmo sabendo que perderei a batalha.
Mas batalharei até entrar no vosso reino,
segundo seu Filho nos disse.
Enviai o vosso Espírito
e derretei o inverno da minha alma
rumo a uma nova primavera.

Eu vos peço esta graça, Abbà,
no doce nome do vosso Filho Jesus.
Amém.

(Vivificat)

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Oração, a força da vocação

 UWIELBIENIE


Quem não leva a sério sua vida com Deus se perde, não importa se é consagrado, religioso, sacerdote ou leigo

Estamos no mês vocacional e a vocação cristã é comum a todos os batizados. Ela se realiza no casamento, no sacerdócio, na vida religiosa ou leiga, mas não existe vocação sem oração.

Às vezes nos “mundanizamos” demais e deixamos de lado a humanização. Uso a palavra “mundano”, porque muitas vezes abrimos mão de coisas imprescindíveis na vida espiritual. Assim como a natureza, que através de tempestades e catástrofes naturais nos cobra devido ao descaso; assim como a nossa natureza humana, que se não nos alimentarmos, enfraquecemos, ou se ficarmos sem dormir por algumas noites, a saúde vai embora, o mesmo acontece com a nossa espiritualidade. Como dizia Santo Inácio, se nos propomos a rezar 5 minutos e pensamos: “hoje eu vou abrir concessão de um”; no dia seguinte serão 2, depois 3, 4, 5 minutos e acabamos não rezando mais.

O Senhor permite, em sua sabedoria e pedagogia da Cruz, a provação e a tribulação para nos tocar, talvez pela atrição, para o grande anseio de Deus, que cheguemos à contrição. Ele tem um propósito para todos nós e tenho pregado muito isso. Escrevi, inclusive, sobre o tema no livro “20 Passos para a paz interior” para que as pessoas assimilem e tenham a certeza que Deus não permitiria algo ruim em nossas vidas somente para nos prejudicar. Deus só permite aquilo que pode se transformar em algo bom. Ele não brinca conosco, Ele cuida de nós como algo muito valioso. Nós somos muito preciosos para Ele. Tudo que falamos de Deus é pouco no que se refere ao que verdadeiramente Ele é. Se nós conseguimos imaginar que Deus é capaz de nos ferir para nos curar é porque ele nos reserva algo de bom, como nos diz Oséias: “Ele nos feriu e há de tratar-nos, Ele nos machucou e há de curar-nos” (Os 6, 1).

Muitas vezes somos insensíveis aos apelos de Deus, formamos um escudo em nós mesmos, e a flecha divina tem dificuldade de penetrar, porque quanto mais sedimentados aos apegos das paixões, ao mundanismo, à satisfação pela satisfação, menos sensibilidade temos para Deus. E por isso sofremos. Quem dera se nós deixássemos nos encontrar com Deus, e a cada momento Ele tenta nos encontrar. Mas nós, na maioria das vezes, nos esquivamos. Muitos perguntam, por que não progridem, não crescem, não se desenvolvem, não veem os frutos de sua santificação? Pela postura assumida diante de Deus, diante Dele a postura deve ser outra, devemos dizer: “Senhor, eu sou necessitado. Eu preciso do Senhor, eu preciso de Sua graça. Sozinho eu não sou ninguém. Não se ausente da minha vida, não me deixe cair em tentação, Senhor! Não me deixe só, porque eu sou fraco; não me deixe, Senhor, cair em tentação. Fica ao meu lado, me amparando, porque eu reconheço que fui feito de pó, pelas Suas mãos”. Devemos alcançar a raiz de nossa humanidade, porque quanto mais humanos, mais divinos.

Ninguém experimenta o amor de Deus se não viver na Sua presença. Quem não leva a sério sua vida com Deus, se perde. Não importa se consagrado, religioso, sacerdote ou leigo, se perde. Portanto, devemos sempre olhar para a bússola de Deus, a fim de sabermos para onde estamos indo. Todo problema espiritual que tivermos, devemos prestar a devida atenção, pois está em risco a nossa salvação.

Uma das formas de cuidar da nossa vida espiritual é através dos Sacramentos, principalmente pela Confissão. Eu não consigo entender alguém que diz ser da Igreja Católica e não tem uma vida de confissão. Temos que purificar a nossa fé, não podemos ficar com o coração dividido. Ou somos inteiros de Deus ou não somos nada.

Deus não tenta ninguém, mas Ele permite que sejamos tentados. Ele é forte e poderoso, mas o inimigo existe e quer semear em nosso coração a dúvida e a confusão. Nossa alma tem fome de Deus e precisa ser alimentada em Deus, através do Sacramento da Eucaristia, ela é o alimento eterno. Temos necessidade de comungar. Ao receber Jesus, na verdade, é Ele que nos envolve com seu amor. Devemos dar mais valor a Eucaristia, é preciso, após cada comunhão, adorar Cristo Vivo dentro de nós, isso nos cura.

Caso deixemos de experimentar o amor de Deus, e se em algum momento da vida nos cansarmos e nos dermos conta de nossa imperfeição, nos coloquemos diante Dele e recomecemos. Ele estenderá as mãos para que cheguemos mais perto do Seu amor, pois a Sua misericórdia é infinita.


https://pt.aleteia.org/2020/08/04/oracao-a-forca-da-vocacao/

A vocação comum a todos os cristãos

FAMILY


Independentemente de qual caminho seguir, a primeira vocação de todo cristão é a mesma: amar

No calendário da Igreja Católica, o mês de agosto é dedicado às vocações. A cada domingo, celebramos uma vocação diferente: sacerdotal, familiar, vida religiosa, leigos e, quando ocorre, o quinto domingo do mês é dedicado aos catequistas.

Mas independentemente de qual caminho seguir, a primeira vocação de todo cristão é a mesma: amar. Como diz a música do padre Zezinho: “Amar como Jesus amou”.  E Jesus amou até o fim, dando sua vida para resgatar a nossa.

No Evangelho de São João (cap. 10), Jesus se revela como o “Bom Pastor, aquele que dá a vida por suas ovelhas” (v. 11). E ele ainda afirmou: “Eu vim para que as ovelhas tenham a vida, e para que a tenham em abundância” (v. 10).

Vida em abundância significa vida cheia de amor. E para alcançar essa vida, só existe um jeito de aprender a amar: amando.

Cada um amando a forma a qual foi chamado por Deus. O sacerdote amando seu ofício, sua comunidade. As famílias, amando a vida matrimonial, esposos e filhos. Os religiosos amando sua vida consagrada. Os leigos amando a Igreja e se unindo a ela para ensinar o mundo a amar. Os catequistas amando ser formadores daqueles que buscam conhecer mais sobre Cristo e a Igreja (lembrando que a família deve ser a primeira catequese, a primeira escola de amor e fé).

Se conseguirmos fazer isso, viveremos uma vida verdadeiramente abundante.


https://pt.aleteia.org/2020/08/27/a-vocacao-comum-a-todos-os-cristaos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

Por que Deus nos deu o Terço? De onde ele surgiu?

 CHILDREN, PRAY, ROSARY

Nem São Francisco de Assis o conheceu! Em que contexto essa “arma da fé” foi presenteada à Igreja e para quê?

Faz cerca de 800 anos, somente, que a Igreja católica reza o Terço.

Os quinze mistérios do Santíssimo Rosário foram apresentados por Nossa Senhora a São Domingos de Gusmão em 1214, como meio para salvar a Europa da heresia albigense ou cátara que se alastrava na época.

Essa heresia pregava a existência de dois deuses, um bom e outro mau, e afirmava que toda a matéria foi criada pelo “deus” mau, Satanás – incluindo o corpo humano, que, portanto, seria “inimigo” da alma. Essas ideias vão contra vários conceitos fundamentais do credo católico:

  • A Igreja professa a fé em um Deus único e Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e não em dois deuses, um bom e outro mau;
  • A Igreja ensina que Satanás não é um “deus”, mas um anjo caído: com sua liberdade, dada por Deus a todos os seres dotados de inteligência, ele optou voluntariamente por se rebelar contra Deus;
  • a Igreja católica reconhece no ser humano uma unidade integral de corpo e alma, criados por Deus e, portanto, bons; o ser humano está sujeito ao pecado pela mesma razão que os anjos: por causa do dom da liberdade, que nos permite optar entre o bem e o mal. Não é que o corpo seja mau em si.

E por aí afora: o fato é que a heresia albigense pregava estes e outros erros que desfiguravam gravemente a doutrina católica revelada por Deus mediante as Escrituras – e era urgente corrigir esses erros.

Batalha espiritual

O terço foi dado à Igreja, então, como uma “nova arma” de defesa da fé em união com Maria e por meio da sua intercessão!

Ao rezá-lo, repetimos e meditamos as orações fundamentais do católico: o Sinal da Cruz, o Credo, o Pai-Nosso, a Ave-Maria, o Glória, a Salve Rainha. São orações que nos recordam e nos ajudam a professar o conteúdo da nossa fé.

DR

Base nas Escrituras

A Santíssima Virgem nos deu essa “arma da fé” com base nas Escrituras. Ao pedir a São Domingos e ao Beato Alan que rezássemos 150 Ave-Marias, é em referência aos 150 Salmos. Todos os 15 mistérios do Rosário são bíblicos e nos guiam na meditação sobre a vida de Cristo, dividindo as 150 Ave-Marias em 15 “dezenas” que nos conduzem pelos mistérios bíblicos da vida do seu Filho. Todo o conjunto do Rosário é uma homenagem de Nossa Senhora às Sagradas Escrituras.

Ligação com Jesus

O terço é uma ligação com Jesus, Caminho, Verdade e Vida, junto com Maria, a Mãe que Ele próprio nos deu ao pé da Cruz: “Eis aí a tua mãe“, disse Jesus a João, enquanto dizia também a Maria: “Eis aí o teu filho“. A Igreja tem a certeza de que, em João, estávamos todos nós representados: Jesus confiou Sua Mãe a todos nós, seus discípulos, e nos confiou a ela.

DR

Deus agindo na história

A batalha espiritual do Santo Rosário, que toma apenas 2% do nosso dia, continua sendo crucial para a vitória da fé sobre os erros que se espalham pelo mundo. É um recurso específico dado por Deus à Igreja, por meio de Nossa Senhora, a partir de um momento específico da história.

É mais uma mostra de que Deus age na história por meio dos seus servos fiéis, assim como quando agiu na história para nos oferecer a devoção ao Sagrado Coração, à Divina Misericórdia, os dogmas… Deus vai nos dando os recursos de que precisamos!

© Mangostock / Shutterstock

Privilégio extraordinário

São Francisco de Assis não tinha o terço! Nem São Bernardo de Claraval, nem Santo Anselmo, nem São Beda, nem São Gregório, nem São Bento, nem Santo Agostinho, nem sequer os Santos Apóstolos! É para nós um grande privilégio poder contar com essa “nova arma” e com tantas outras que nos foram sendo presenteadas ao longo da história da Igreja!

Presenteadas e confirmadas inúmeras vezes: as aparições de Nossa Senhora nos pedem sempre que rezemos o Rosário pela salvação das almas.

© Public Domain/Wikipedia

Altamente recomendado

São João Paulo II, apenas duas semanas depois de eleito Papa, afirmou com singeleza:

“O terço é a minha oração preferida. Uma oração maravilhosa! Maravilhosa na sua simplicidade e na sua profundidade”.

São Padre Pio também foi claro:

“Algumas pessoas são bobas a ponto de achar que podem avançar pela vida sem a ajuda de nossa Mãe Santíssima. Amem Nossa Senhora e rezem o terço, porque o seu terço é a arma contra todos os males do mundo de hoje. Todas as graças dadas por Deus passam pela Mãe Santíssima”.

Não há como citar aqui todos os santos que rezaram diariamente e recomendaram com ênfase o Santo Rosário, assim como todos os papas. Só para fechar o artigo, basta recordar algumas frases impactantes do Papa Francisco sobre o terço: “O Rosário é a oração do meu coração“; “O Rosário é arma de paz e perdão“; “Amem o Rosário, oração simples que consola a mente e o coração“.

Bom terço, católicos!