sábado, 8 de agosto de 2020

O que é a Súplica à Rainha do Santo Rosário de Pompeia

BLESSED VIRGIN OF THE ROSARY OF POMPEI

Conheça esta oração inspiradora e a história impressionante de conversão que está por trás do seu surgimento

Súplica à Rainha do Santo Rosário de Pompeia

Ó Rosário bendito de Maria,

doce cadeia que nos prende a Deus,

vínculo de amor que nos une aos Anjos,

torre de salvação contra os assaltos do inferno,

porto seguro no naufrágio geral,

não te deixaremos nunca mais.

Serás o nosso conforto na hora da agonia.

Seja para ti o último beijo da vida que se apaga.

E a última palavra dos nossos lábios

há de ser o vosso nome suave,

ó Rainha do Rosário de Pompeia,

ó nossa Mãe querida,

ó Refúgio dos pecadores,

ó Soberana consoladora dos tristes.

Sede bendita em todo o lado,

hoje e sempre, na terra e no céu.

 

A história

A Súplica à Rainha do Santo Rosário de Pompeia é uma oração composta em 1883 pelo beato Bartolo Longo, fundador do Santuário de Nossa Senhora de Pompeia e das obras de caridade que fazem parte da sua proposta.

BARTOLO LONGO
Wikipedia | Domena publiczna

Pompeia, no sul da Itália, é a mesma cidade que, no ano 79, foi destruída pela famosíssima erupção do vulcão Vesúvio, cujas cinzas sepultaram edifícios e moradores ao mesmo tempo em que os conservaram, como que petrificados, ao longo de quase dois milênios.

Essa antiga cidade pagã, em que a aristocracia romana se entretinha entre prazeres da carne e da mesa, atravessou uma longa era de abandono até voltar a receber, no século IX, algumas famílias de camponeses que erigiram por ali uma capela humilde.

© Leandro Neumann Ciuffo
Santuario de Nuestra Señora de Pompeya

Em 1872, chegou ao Vale de Pompeia o advogado Bartolo Longo, que, na juventude, se entregara a ideias e ideais afastados de Deus.

Ele próprio chegou a declarar que tinha sido como um “sacerdote de Satanás” em seus tempos de rebeldia e desespero.

Após atravessar uma profunda depressão e a tentação repetida do suicídio, Bartolo Longo experimentou uma intensa experiência de conversão – que o levaria a ser beatificado por São João Paulo II em 1980.

Em seu processo de conversão, o beato foi inspirado a propagar a devoção ao Santo Rosário, o que o motivou, junto com a esposa, a construir em Pompeia o santuário dedicado a Nossa Senhora do Rosário.

Foi em 1883 que ele compôs a célebre Súplica.

Inicialmente, a oração recebeu o título de “Ato de Amor à Virgem Maria”. Mais tarde é que foi alterada para “Súplica à Poderosa Rainha do Santíssimo Rosário de Pompeia”. Com o passar do tempo, a oração foi recebendo vários retoques até chegar à fórmula atual.

A devoção a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia se espalhou pelo mundo graças aos emigrantes que, antes de partirem do porto de Nápoles, passavam por Pompeia e recebiam a imagem de Nossa Senhora, terços e livretos de orações. Inúmeras igrejas e santuários foram sendo dedicados a Nossa Senhora de Pompeia mundo afora.


https://pt.aleteia.org/2020/08/05/o-que-e-a-suplica-a-rainha-do-santo-rosario-de-pompeia/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt

 

O que é e como se reza a novena a Maria Desatadora dos Nós?


Novena a Nossa Senhora Desatadora de Nós – Liturgia das Horas Online

Conheça a novena que o Papa Francisco convida a rezar especialmente na América Latina

São cada vez mais numerosos os testemunhos de pessoas que, tendo pedido ajuda a Maria Desatadora dos Nós, receberam benefícios e graças espirituais.

Muitas pessoas experimentaram concretamente o “desatamento” desses nós que provocam dor e sofrimento, e pelos quais se dirigiram a Maria, pedindo-lhe ajuda humildemente, como quem se dirige a uma mãe amorosa e solícita com relação aos próprios filhos em dificuldade.

Desde que o Papa Francisco foi eleito, esta devoção se tornou imediatamente muito mais popular e querida pelos fiéis do mundo inteiro.

O que é uma novena?

Uma novena é um tipo de oração que a pessoa faz a Deus durante 9 dias consecutivos, pedindo a intercessão particular da Virgem Maria, de um santo padroeiro, dos arcanjos ou dos anjos da guarda. Também é comum rezar as novenas como preparação para as grandes festas litúrgicas, como Natal, Páscoa, Pentecostes, Imaculada Conceição, entre outras.

A origem desta prática de devoção faz referência aos 9 dias que passaram entre a Ascensão e Pentecostes, enquanto os discípulos – segundo o pedido de Jesus – permaneceram em oração, esperando o Espírito Santo (cf. Lc 24, 49; Atos 1, 4).

A pessoa que decide rezar uma novena geralmente o faz para pedir ajuda a Deus em uma situação particular de sofrimento seu ou de um ente querido.

Um novena muito conhecida é a de sufrágio pelos defuntos ou a favor das almas do purgatório, segundo um costume que encontramos no Antigo Testamento, quando Judas Macabeu ofereceu com seus homens um “sacrifício expiatório” em reparação pelos pecados dos soldados mortos em batalha (cf. 2 Mac 12, 38-45).

Por que uma novena a Maria Desatadora dos Nós?

Quando o então cardeal Bergoglio começou a divulgar a imagem de Maria Desatadora dos Nós em sua diocese, foi o padre argentino Juan Ramón Celeiro (pároco de San Juan Bautista, na periferia de Buenos Aires) quem, em 1998, escreveu a primeira novena a Maria Desatadora dos Nós para os seus paroquianos, obtendo o imprimatur do arcebispo de Paris em 2008.

A novena se espalhou lentamente em diversos países do mundo e hoje já foi traduzida a muitos idiomas, com diversas versões.

Por meio desta novena particular, pede-se a intercessão de Maria para que Ela desate um nó particular que provoca grandes sofrimentos.

Os nós são as pequenas ou grandes “cruzes” da vida podem ser os pecados, as doenças do corpo e da alma, as situações de divisão, a dificuldade de aceitar a vontade de Deus, as dificuldades da vida cotidiana (família, trabalho, relações pessoais, inquietudes econômicas e sociais, as injustiças e humilhações sofridas, a incapacidade de perdoar e amar etc.). Durante toda a novena, a pessoa reza para que esse nó concreto seja desatado.

Qual é o sentido de se rezar uma novena?

Rezar a novena é uma maneira de seguir o conselho de Jesus, que convidava os discípulos a “rezar sempre sem cansar-se” (cf. Lc 18, 1), como a viúva do Evangelho que, com grande insistência, implorava ao juiz que lhe fizesse justiça frente ao seu adversário (cf. Lc 18, 1-8).

Para fazer isso, para que uma oração seja verdadeiramente eficaz, é preciso ter humildade, constância e perseverança, junto à consciência de que Deus escuta as orações do seu povo. Com a parábola do fariseu e do publicano (Lc 18, 9-14), Jesus mostra a humildade como característica essencial da oração cristã.

Como se reza a novena?

A oração da novena está intimamente unida à oração do terço, “compêndio de todo o Evangelho” (Paulo VI, Marialis cultus, 42): durante 9 dias consecutivos, a pessoa rezará o terço junto às orações da novena a Maria Desatadora dos Nós.

Começa-se com o Sinal da Cruz e o Ato de Contrição, para pedir perdão a Deus pelos pecados e preparar a alma para a oração. Depois reza-se a “Súplica a Maria Desatadora Dos Nós” (que pode ser rezada no final também) e se inicia o terço com os mistérios correspondentes ao dia da semana.

Depois dos três primeiros mistérios do terço, reza-se a oração “Meditação do primeiro dia” (e assim sucessivamente) e se continua o terço. Após o quinta mistério, reza-se a Salve Rainha e se conclui com uma das orações a Maria Desatadora Dos Nós.

Qual é a atitude justa para uma oração eficaz?

Na oração de uma novena, é importante adotar a atitude justa, evitando dois extremos: a superstição e a desconfiança.

A atitude supersticiosa é a que leva a considerar o rezo de uma oração ou rito religioso como uma prática de cunho “mágico” para convencer a divindade e submetê-la à própria vontade; a devoção se torna, assim, um instrumento para tentar persuadir Deus a fazer a nossa vontade.

É fácil cair nesta atitude e, infelizmente, alguns livros de oração e de novena correm o risco de cair neste perigo, propondo à pessoa uma quantidade exorbitante de orações, fórmulas, gestos e ritos para tornar a novena eficaz.

O supersticioso também é escrupuloso e não ficará satisfeito se não conseguir rezar todas as orações no tempo e modalidade estabelecidos: com isso, não experimentará o êxito da novena.

Os profetas do Antigo Testamento e até Jesus se opuseram a esta atitude, que não corresponde à adesão do coração aos preceitos de Deus. Jesus convidou a samaritana a uma oração “em espírito e verdade” (João 4, 1-42).

O supersticioso troca o meio (a devoção) pelo fim (a petição da graça divina), correndo o risco de concentrar-se mais na prática externa que no verdadeiro significado da oração.

A segunda atitude a ser evitada é a desconfiança, a suspeita em relação à utilidade de uma novena, da devoção e oração do terço. Assim, a novena pode ser rezada com um coração desconfiado; a pessoa reza as orações sem dar-lhes importância e pensando que, no fundo, não são tão eficazes. Duvidar da eficácia da oração significa duvidar da força do Espírito Santo e, em última instância, do amor misericordioso de Deus.

No Evangelho, Jesus não faz milagres quando falta fé (cf. Mt 13, 58), mas revoluciona a vida de quem crê, transformando as situações de sofrimento e morte em realidades novas, radicalmente renovadas, como disse à irmã de Lázaro: “Eu não lhe disse que, se você crer, verá a glória de Deus?” (cf. Jo 11, 40).

A intercessão da Virgem Maria

São Bernardo se referia a Maria como “Estrela do Mar” que guia e ilumina o caminho de quem está em perigo e nas trevas. As palavras do santo nos ajudam a compreender quão necessário é olhar para a Estrela, pensar em Maria, invocá-la nos momentos de tempestade.

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria.

Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria.

Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do Juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despenhar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.

Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida.

Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.

Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

E assim verificarás, por tua própria experiência, com quanta razão foi dito: “E o nome da Virgem era Maria”.


Esquema sugerido para a novena:

Sinal da Cruz

Ato de Contrição

Súplica a Maria Desatadora dos Nós

Terço: três primeiros mistérios

Oração do dia correspondente “Meditação do primeiro (…) dia”

Terço: dois últimos mistérios

Salve Rainha

Oração final


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sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Oração a Nossa Senhora da Medalha Milagrosa

OUR LADY OF THE MIRACULOUS MEDAL


Também chamada, devocionalmente, de Nossa Senhora das Graças

Por ocasião do dia de Nossa Senhora das Graças, a Virgem da Medalha Milagrosa, compartilhamos a seguinte oração especialmente dedicada a essa bela devoção mariana:

Ó Imaculada Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe, ao contemplar-vos de braços abertos derramando graças sobre os que vo-las pedem, cheios de confiança na vossa poderosa intercessão, inúmeras vezes manifestada pela Medalha Milagrosa, embora reconhecendo a nossa indignidade por causa de nossas inúmeras culpas, acercamo-nos de vossos pés para vos expôr, durante esta oração, as nossas mais prementes necessidades:

(momento de silêncio e de pedir a graça desejada).

Concedei, pois, ó Virgem da Medalha Milagrosa, este favor que confiantes vos solicitamos, para maior Glória de Deus, engrandecimento do vosso nome e o bem de nossas almas. E para melhor servirmos ao vosso Divino Filho, inspirai-nos profundo ódio ao pecado e dai-nos coragem de nos afirmar sempre como verdadeiros cristãos. Amém.

Rezar 3 Ave-Marias.

Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós.

 

domingo, 26 de julho de 2020

Eu morri por seu pecado, viva por mim

CRUCIFIXED


Nesta pandemia perdemos absolutamente o controle da nossa vida, mas fortalecemos a certeza de que o único capaz de salvar a humanidade do sofrimento é Jesus Cristo

Vivemos um tempo triste. A esperança parece ter desaparecido, os dias têm sido mais nublados e a vida parece não progredir. São tempos que nos exigem uma verdadeira coragem. Coragem para caminhar em meio ao caos e a escuridão que assolou toda a terra. Vivemos um tempo de recolhimento. Tempo este que tem exigido de cada um de nós coragem para deparar-nos em frente ao espelho olhando e observando tudo o que somos.
Vivemos um tempo que nos obrigou, de alguma forma, a passar pelo deserto. Afinal, antes deste tempo dificilmente olhávamos para nós mesmos e refletíamos sobre o verdadeiro valor das coisas mais simples da vida. Fomos obrigados a saber lidar com uma angústia que não cessa, com dias sem cores e com a incerteza de dias melhores. Fomos obrigados a reavaliar, de alguma forma, tudo aquilo em que acreditamos. Fomos obrigados a achar, de uma forma ou de outra, o sentido para viver em meio ao vazio existencial que tem atingido milhares de pessoas no mundo inteiro.
Vivemos um tempo que nos possibilitou a oportunidade de ressignificar muitas coisas. Ressignificamos relacionamentos amorosos, sociais e familiares, nossa profissão, nossa rotina e tudo aquilo em que acreditávamos ou não.
Começamos a perceber ainda mais a importância de acreditar em Deus, de praticarmos uma verdadeira fé todos os dias e de darmos sentido a todo esse caos que nos desestabilizou e que nos provou, da forma mais dura, que não somos absolutamente nada sem Deus. Nós não temos o poder de salvar quem amamos, não temos o poder de livrar a Humanidade inteira de um sofrimento que tem corroído os dias que, antes, achávamos que eram cheios de vidas.
Este tempo nos deu a oportunidade de ressignificar o nosso valor, o nosso conhecimento e até aonde o seres humanos são capazes de chegar. Perdemos absolutamente o controle de nossas vidas.
De uma forma especial, este tempo nos mostrou e provou a muitos que nós definidamente não somos “deuses” de nossas vidas, e que sem a misericórdia de Jesus jamais seremos salvos. Vivíamos achando que nos bastávamos. De alguma maneira, tínhamos a certeza de que bastava um bom emprego, um status e uma boa vida financeira para que fôssemos realmente felizes e repletos de vida. Esse tempo difícil e cinza veio para ressignificar absolutamente tudo, e para jogar no lixo todas as nossas certezas – incertas.
Percebemos que não somos “deuses” de nossas vidas e que o único capaz de salvar a humanidade inteira do sofrimento – inclusive você que está lendo este texto e eu que escrevo – é Jesus Cristo. Através dessa percepção, começamos a perceber com clareza que o lugar certo para cada um de nós é aos pés da Cruz de Jesus. É Ele quem nos dá a força e a alegria necessárias para passar pelas adversidades da vida. É Ele quem salva. É Ele, o único que possui o poder de transformar dias cinzas em dias mais coloridos e cheios de vida desde o amanhecer até o anoitecer. É Ele quem dá o sentido para os nossos sofrimentos – sejam eles quais forem. É Ele quem nos capacitará e nos dará a coragem de guerreiros valentes para passarmos por isso e testemunharmos, no futuro, o quão bom e misericordioso Jesus Cristo é.
Desejo que você e eu encontremos sempre o sentido e a alegria de viver Naquele que transformou a morte dolorosa e cruel em vida.
Sigamos firmes e confiantes. Nova manhã, Jesus Cristo e seu eterno amor, faz ressurgir.

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Belíssima oração a São Joaquim e Sant’Ana pelos avós e idosos

SAINT JOACHIM AND SAINT ANNE

Recorra aos avós de Jesus para pedir a proteção dos mais velhos e o amparo para as famílias

“Senhor por intercessão de São Joaquim e Santa Ana, lembra-Te daqueles a quem deste o dom da vida longa. Recompensa-os agora pelo bem que realizaram no passado, perdoa-os por suas falhas. Torna seus dias felizes e dá-lhes Tua graça a fim de que sigam crescendo através dos desafios de seus últimos anos. Dá-lhes a vida eterna Contigo. Senhor Jesus, peço-te uma bênção para todos aqueles que chegaram à idade avançada, especialmente estes:

(Diga os nomes, bem como sua intenção pelos idosos)

E a mim Senhor peço a graça de saber valorizar os idosos, peço a graça de saber dar atenção, carinho e afeto, respeito e dignidade aos idosos. Sei que se Vossa bondade me conceder um dia, também o serei e sei que a vida é um aprendizado. Por isso rezo, dai-me a graça de saber envelhecer, dai-me a maturidade que a minha idade permite ter, dai-me sabedoria, compreensão do mundo e das pessoas porque cada dia é um passo rumo à Tua presença.

Senhor por intercessão de São Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, pedimos a graça de aceitar o tempo, aceitar os fatos, mas nunca desistir de um recomeço. Aos que já são idosos, pedimos Senhor que saibamos amá-los em suas fragilidades, acolhê-los em suas limitações, ajudá-los em suas dificuldades. Que a minha presença junto aos idosos leve-os a superar o sentimento de solidão e me ajude a ser um ouvido que escuta, uma mão estendida e um coração que ama. Amém.”

Fonte: Padre Reginaldo Manzotti 

terça-feira, 21 de julho de 2020

A modéstia nas conversas


Ainda que tudo o que é desonesto é indecente, nem tudo o que é indecente se pode chamar desonesto. Não se confunda, pois a indecência com a desonestidade. Conversas e expressões referentes a coisas baixas e inconvenientes são falsamente julgadas desonestas. O mesmo se deve pensar de certas conversas sobre namoros, modas e diversões profanas, em que não se diz qualquer coisa menos conveniente.

Nas mesmas expressões impuras devemos distinguir aquelas que são aberta e diretamente más e que ordinariamente arrastam à impureza, e aquelas que só remota e encobertamente se referem a coisas impuras e apenas levemente induzem ao pecado. Estas expressões, principalmente quando ditas por gracejo ou leviandade e sem complacência e impureza, não são tão pecaminosas como as outras; todavia o seu perigo cresce à medida que os interlocutores são falhos de virtude e inclinados à luxúria. O pecado será tanto mais grave, quanto maior for o perigo.

Não se esqueça de que os pensamentos maus a ninguém escandalizam, ao passo que as conversas livres más, por leviandade, brincadeira, ou ‘ara divertir a companhia’ como se costuma dizer, dão quase sempre ocasião a maus pensamentos e desejos de pecados talvez gravíssimos, tanto internos como externos. Que tristes efeitos resultam das conversas levianas e impuras!

Uma criada de servir tinha o costume de entremear sempre nas suas conversas palavras levianas e frases inconvenientes, apesar das admoestações constantes duma companheira que não cessava de dizer:

— À hora da morte, chorarás amargamente esse mau costume, mas talvez sem proveito.

Uma tarde foram as duas visitar a criada duma vizinha gravemente enferma, a qual, depois de ter suplicado que orassem por ela para que lhe concedesse uma boa morte, acrescentou:

— Uma coisa, sobretudo me aflige: ter misturado nas minhas conversas, palavras e frases obscenas. O meu confessor bem me dizia: quantos maus pensamentos e talvez más ações cometidas pelo próximo, que te serão imputadas à hora da morte! Agora vejo eu quanta razão ele tinha! Peço-vos que esqueçais as minhas más palavras, não siga meus exemplos, e dizei o mesmo às minhas companheiras. Todas as vezes que entrardes no cemitério e deitardes água benta sobre a minha campa, pensai que me ouvis dizer lá debaixo da terra: Guardai-vos de conversas desonestas, que pesam terrivelmente sobre o coração no leito da morte.

Todas as pessoas presentes ficaram profundamente impressionadas, e, mais que todas, a leviana criada, que na volta disse à companheira:

— Parecia-me que estava sobre brasas; prometo a Deus que nunca mais hei de sujar meus lábios com palavras desonestas.

Como é verdadeira a palavra do Salvador: ‘Ai daquele homem por quem vem o escândalo!’.

Havendo justo motivo para falar de coisas impuras ou perigosas, empregue-se o maior recato e sobriedade, evite-se toda a má intenção e haja todo o cuidado em não escandalizar as pessoas com quem se fala.

Quanto a assistir a conversas desonestas ou indecentes, nota o seguinte: Não gostando das coisas que se dizem, mas somente do modo como se dizem, não é pecado grave ouvi-las. Mas, se mostras agrado, rindo-te, e dás assim calor a quem fala para continuar, e, aos outros, ocasião de escândalo, então há perigo de pecares mortalmente.

Não haverá pecado se, quando a conversa descamba para coisas torpes, te retiras ou, não o podendo fazer, procuras levá-la para outro assunto.

Há, porém, ocasiões em que nenhum destes meios é exequível. Então necessário se torna não consentires; e para não haver escândalo, deves mostrar-te desgostoso e desaprovar externamente tais conversas baixando os olhos, ponde-te sério, ou de qualquer outra maneira.

Os pais e superiores estão obrigados a cortar energicamente todas as conversas impuras ou indecentes entre as pessoas que lhes estão subordinadas.


(O Cristão no Tribunal da Penitência pelo Fr. Frutuoso Hockenmaier, O.F.M, tradução do P. Inôcencio do Nascimento, 3ª edição, 1949.)

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terça-feira, 30 de junho de 2020

Como rezar o terço? Um guia ilustrado

Long Thiên | CC


Para recordar e compartilhar

Aoração do Terço (ou Rosário) é uma oração milenar da igreja. Somente um coração puro, humilde e de fé compreende o valor desta oração. Ela é destinada aos que buscam ter um coração puro como de uma criança.

Muitos têm dúvidas sobre algumas orações das orações recitadas no terço ou mesmo não descobriram ainda a riqueza que é esta oração. Por isso, preparamos este artigo explicando de forma bem didática como rezar o terço e o texto das orações.

 

como-rezar-o-terco

A partir da cruz, siga as orações na sequência indicada

  • Inicia-se segurando pela cruz, com a oração do Creio
  • Reza-se um Pai-Nosso, seguido de três Ave-Maria (Cada Ave-Maria é precedida de uma oração. Vide orações abaixo)
  • Recita-se: Glória ao Pai, ao Filho…
  • O terço possui 5 dezenas. A cada dezena contempla-se o mistério, seguido de 1 Pai-Nosso e 10 Ave-Maria
  • Ao final de cada dezena reza-se Glória ao Pai seguido da jaculatória Oh! meu bom Jesus… (vide orações abaixo)
  • Ao concluir as 5 dezenas, reza-se os agradecimentos

Orações do Santo Terço

Orações do Santo Terço na sequência da oração.

Oferecimento do Terço

Divino Jesus, eu vos ofereço este terço (Rosário) que vou rezar, contemplando os mistérios de nossa Redenção. Concedei-me, pela intercessão de Maria, vossa Mãe Santíssima, a quem me dirijo, as graças necessárias para bem rezá-lo para ganhar as indulgências desta santa devoção.

Creio em Deus Pai

Creio em Deus Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, e em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia; subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo poderoso, donde há de vir julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na comunhão dos santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso que estais nos céus, santificado seja o Vosso nome, venha a nós o Vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossa ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre Jesus. Santa Maria Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

  • A primeira Ave-Maria em honra a Deus Pai que nos criou [Ave-Maria…]
  • A segunda Ave Maria a Deus Filho que nos remiu: [Ave-Maria…]
  • A terceira Ave Maria ao Espírito Santo que nos santifica: [Ave-Maria…]
  • Amém.

Glória ao Pai

  • Glória ao Pai, ao Filho e o Espírito Santo. Como era no princípio, agora é sempre. Amém.

Oh! Meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem. Amém.


Na oração do Rosário contemplam-se todos os mistérios. No caso da oração do Terço, contempla-se um dos mistérios, conforme dias e mistérios a seguir:

Mistérios Gozosos (segundas e sábados, e nos domingos do Advento)

 

1- Anunciação do Arcanjo São Gabriel à nossa Senhora.
No primeiro mistério contemplemos a Anunciação do Arcanjo São Gabriel à Nossa Senhora.

2- A visita de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.
No segundo mistério contemplemos a Visitação de Nossa Senhora à sua prima Santa Isabel.

3- O nascimento de Jesus em Belém.
No terceiro mistério contemplemos o Nascimento do Menino Jesus em Belém.

4- A apresentação do Menino Jesus no Tempo.
No quarto mistério contemplemos a Apresentação do Menino Jesus no templo e a Purificação de Nossa Senhora.

5- Encontro de Jesus no Templo entre os Doutores da Lei.
No quinto mistério contemplemos a Perda e o Encontro do Menino Jesus no templo.


Mistérios Dolorosos (terças e sextas-feiras, e domingos da Quaresma até a Páscoa)

 

1- A agonia de Jesus no Horto das Oliveiras.
No primeiro mistério contemplemos a Agonia de Cristo Nosso Senhor, quando suou sangue no Horto.

2- A flagelação de Jesus atado à coluna.
No segundo mistério contemplemos a Flagelação de Jesus Cristo atado à coluna.

3- A coroação de espinhos de Jesus.
No terceiro mistério contemplemos a Coroação de espinho de Nosso Senhor.

4- A subida dolorosa do Calvário.
No quarto mistério contemplemos Jesus Cristo carregando a Cruz para o Calvário.

5- A morte de Jesus.
No quinto mistério contemplemos a Crucificação e morte de Nosso Senhor Jesus Cristo.


Mistérios Gloriosos (quartas-feiras e domingos da Páscoa até o Advento)

 

1- A ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
No primeiro mistério contemplemos a Ressurreição de Cristo Nosso Senhor.

2- A ascensão admirável de Jesus Cristo ao céu.
No segundo mistério contemplemos a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu.

3- A vinda do Espírito Santo.
No terceiro mistério contemplemos a Vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos com Maria Santíssima no Cenáculo em Jerusalém.

4- A assunção de Nossa Senhora no Céu.
No quarto mistério contemplemos a Assunção de Nossa Senhora ao Céu.

5- A coroação de Nossa Senhora no Céu .
No quinto mistério contemplemos a Coroação de Nossa Senhora no Céu como Rainha de todos os anjos e santos.


Mistérios Luminosos (quinta-feira)

 

1- Batismo de Jesus no rio Jordão.
No primeiro mistério contemplemos o Batismo de Jesus no rio Jordão.

2- Autorrevelação de Jesus nas Bodas de Caná.
No segundo mistério contemplemos a Auto-revelação de Jesus nas Bodas de Caná.

3- Anúncio do Reino de Deus.
No terceiro mistério contemplemos o Anúncio do Reino de Deus.

4- Transfiguração de Jesus.
No quarto mistério contemplemos a Transfiguração de Jesus.

5- Instituição da Eucaristia.
No quinto mistério contemplemos a Instituição da Eucaristia.

Agradecimentos

Infinitas graças vos damos, Soberana Rainha, pelos benefícios que todos os dias recebemos de vossa mão liberais. Dignai-vos, agora e para sempre, tomar-nos debaixo do vosso poderoso amparo e para mais vos obrigar vos saudamos com uma Salve Rainha:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve! A vós bradamos, os degredados filhos de Eva; a vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro nos mostrai a Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó Clemente, ó Piedosa, ó Doce, sempre virgem Maria.

V. Rogai por nós, Santa Mãe de Deus,
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.

 

(via No colo de Maria)


Por que os católicos rezam o Terço?

ROSARY
Bushko Oleksandr | Shutterstock


O terço é uma “arma espiritual” e Maria é “vencedora das heresias”: saiba por quê

Durante séculos, a Igreja intensificou a oração do Terço, ou Rosário, nos momentos de luta. São Domingos considerava o Terço uma arma espiritual, e os Papas chamavam Maria de “vencedora das heresias”, invocando a sua ajuda para combater questões que vão do catarismo ao comunismo.

Origem do Terço

A devoção ao Terço foi se desenvolvendo lentamente ao longo de cerca de 500 anos.

Trata-se de uma oração constituída pela recitação de ave-marias, em grupos de dez, sendo cada grupo precedido por um pai-nosso e concluído com um glória. Durante o rosário, meditam-se os mistérios da vida de Cristo e de Maria.

A tradição popular atribui a origem do Terço a São Domingos (1170-1221), mas as pesquisas históricas mostram que esta devoção foi se desenvolvendo lentamente ao longo do tempo.

O próprio São João Paulo II parece afirmar isto em sua carta “Rosarium Virginis Mariae” (2002), que começa recordando que o Terço “foi gradualmente tomando forma no segundo milênio, sob a guia do Espírito de Deus”.

Ainda que não se saiba exatamente qual é a história do início do Terço, o pe. Etienne Richer explica, em “Mariology“, que, no final do século XI, ou seja, quase um século antes de São Domingos, “já se conhecia e praticava uma devoção mariana caracterizada por numerosas ave-marias, com prostrações rítmicas em honra de Nossa Senhora, primeiro em comemoração das suas alegrias e, depois, em recordação dos seus sofrimentos”. O nome “Rosário” surgiu associado a esta prática.

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Na mesma época, irmãos e monges cistercienses que não conseguiam memorizar os 150 salmos que a sua ordem rezava toda semana, teriam recitado 150 pai-nossos. Os leigos teriam logo copiado essa forma de rezar, mas substituindo o pai-nosso pela ave-maria. O nome dado a essa devoção foi “Saltério de Maria”.

Por volta do ano 1200, conta-se que Nossa Senhora apareceu a São Domingos e lhe disse: “Reza o meu saltério e ensina-o às pessoas. Esta oração nunca falhará”.

São Domingos difundiu a devoção ao Saltério de Maria e, como afirma o pe. Richter, esta devoção foi “incorporada de forma divina à vocação pessoal de São Domingos”.

Nas décadas posteriores, o Terço e o saltério de Maria convergiram e a devoção assumiu a forma específica popularizada ao longo dos séculos seguintes: as 150 ave-marias, divididas originalmente em três conjuntos de mistérios (os gozosos, os dolorosos e os gloriosos; daí o nome “terço”, que remete a cada uma das três partes do rosário completo), sendo cada terço subdividido em 5 dezenas de ave-marias (cada dezena equivalendo à contemplação de um mistério da fé), com o pai-nosso inserido entre as dezenas.

Papa João Paulo II

Em 2002, São João Paulo II acrescentou mais cinco mistérios ao Rosário, os chamados “mistérios luminosos”. Ele propôs tais mistérios para “mostrar plenamente a profundidade cristológica do terço”, incluindo “os mistérios do ministério público de Cristo entre o seu Batismo e a sua Paixão”. Apesar da mudança que agora subdivide o Rosário em quatro partes e não mais em três, a devoção continua sendo chamada popularmente de “Terço”.

Orientações da Igreja Católica

Desde o século XII, a Igreja Católica intensificou a oração do Terço nos momentos de dificuldade e tribulação. Em 1569, São Pio V consagrou oficialmente o Terço, atribuindo à sua recitação a destruição da heresia e a conversão de muitos pecadores.

Ele pediu aos fiéis que rezassem o Terço naquela época “de tantas heresias, gravemente perturbada e aflita por tantas guerras e pela depravação moral dos homens” – nem tão diferente da nossa própria época.

O prolífico papa Leão XIII (1878-1903), conhecido sobretudo pelas suas encíclicas sobre questões sociais, especialmente a Rerum Novarum (1891), sobre as condições do trabalho humano, escreveu pelo menos 16 documentos sobre o terço, incluindo 12 encíclicas.

O “Papa do Terço” escreveu a sua primeira encíclica sobre esta oração em 1883, no 25º aniversário das aparições de Lourdes. Ele recorda o papel de São Domingos e como a oração do terço ajudou a derrotar os hereges albigenses no sul da França, nos séculos XII e XIII.

São Domingos, dizia o Papa, “atacou intrepidamente os inimigos da Igreja católica não pela força das armas, mas confiando totalmente na devoção que ele foi o primeiro em instituir com o nome de Santo Terço. Guiado pela inspiração e pela graça divinas, previu que esta devoção, como a mais poderosa arma de guerra, seria o meio para colocar o inimigo em fuga e para confundir a sua audácia e louca impiedade”.

Arma espiritual

Também falou sobre a eficácia e poder do terço na histórica batalha de Lepanto, entre as forças cristãs e muçulmanas, em 1521.

As forças islâmicas haviam avançado rumo à Espanha e, quando estavam a ponto de superar as cristãs, o Papa Pio V fez um apelo aos fiéis para que rezassem o terço.

Os cristãos venceram, e, como homenagem por esta vitória, o Papa declarou Maria a “Senhora da Vitória”, estabelecendo sua festa no dia 7 de outubro, dia do Santo Terço.

Voltando à necessidade do terço em sua época, o Papa escreveu: “É muito doloroso e lamentável ver tantas almas resgatadas por Jesus Cristo arrancadas da salvação pelo furacão de um século extraviado e lançadas ao abismo e à morte eterna. Em nossa época, temos tanta necessidade do auxílio divino quanto na época em que o grande Domingos levantou o estandarte do Terço de Maria, a fim de curar os males do seu tempo”.

Pio XI (1922-1939) dedicou sua última encíclica, “Ingravescentibus malis“, também ao terço. Foi em 1937, o mesmo ano em que escreveu a famosa “Mit brennender Sorge“, na qual criticava os nazistas, e a “Divini Redemptoris“, na qual denunciava que o comunismo ateu “pretende derrubar radicalmente a ordem social e socavar os próprios fundamentos da civilização cristã”.

Criticando o espírito da época e o “seu orgulho depreciativo”, o Papa disse que o terço é uma oração que tem “o perfume da simplicidade evangélica”, que requer humildade de espírito. Ele escreveu:

“Uma inumerável multidão, de homens santos de toda idade e condição, sempre o estimou. Rezaram-no com grande devoção e em todo momento o usaram como arma poderosíssima para afugentar os demônios, para conservar a vida íntegra, para adquirir mais facilmente a virtude; enfim, para a consecução da verdadeira paz entre os homens”.

Em 1951, Pio XII (1939-1958) escreveu a “Ingruentium malorum“, sobre a oração do terço: “Categoricamente, não hesitamos em afirmar em público que depositamos grande esperança no Rosário de nossa Senhora como remédio dos males do nosso tempo. Porque não é pela força, nem pelas armas, nem pelo poder humano, mas sim pelo auxílio alcançado por meio dessa devoção, que a Igreja, munida desta espécie de funda de Davi, consegue impávida afrontar o inimigo infernal”.

Papa Bento XVI

Em 1985, o então cardeal Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e posteriormente eleito Papa Bento XVI, admitiu no livro-entrevista “Informe sobre a Fé”, com Vittorio Messori, achar que a declaração de que Maria é “a vencedora de todas as heresias” era um pouco “exagerada”.

Ele explicou que, “quando eu ainda era um jovem teólogo, antes das sessões do Concílio (e também durante elas), como aconteceu e acontece hoje com muitos, tinha algumas reservas sobre certas fórmulas antigas, como, por exemplo, aquela famosa ‘De Maria nunquam satis’ [de Maria nunca se dirá o bastante]“.

É oportuno observar que Joseph Ratzinger cresceu num ambiente muito mariano. No livro “Meu irmão, o Papa”, o pe. George Ratzinger, irmão mais velho de Joseph, comenta que seus avós se casaram no Santuário de Nossa Senhora de Absam e que seus pais se conheceram por meio de um anúncio que o pai tinha colocado (duas vezes) no jornal do santuário mariano de Altotting.

Os Ratzinger rezavam o terço juntos muitas vezes e, no mês de maio, participavam de numerosas celebrações ligadas a Maria e ao terço.

No entanto, apesar da familiaridade com Maria e da sincera devoção mariana, ele não parecia convencido. Como ele mesmo explica no livro-entrevista, o então cardeal prefeito desse importantíssimo dicastério vaticano passou por uma pequena conversão.

“Hoje, neste confuso período, em que todo tipo de desvio herético parece se amontoar às portas da fé católica, compreendo que não se trata de exageros de almas devotas, mas de uma verdade hoje mais forte do que nunca”.

É necessário voltar a Maria se quisermos voltar à verdade sobre Jesus Cristo, à verdade sobre a Igreja e à verdade sobre o homem.

“A oração do terço nos permite fixar o olhar e o coração em Jesus, como sua Mãe, modelo insuperável da contemplação do Filho“, disse Bento XVI em 12 de maio de 2010, no Santuário de Nossa Senhora de Fátima.

“Ao meditarmos os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos ao longo das ave-marias, contemplamos todo o mistério de Jesus, desde a Encarnação até a Cruz e a glória da Ressurreição; contemplamos a participação íntima de Maria neste mistério e a nossa vida em Cristo hoje, também ela tecida de momentos de alegria e de dor, de sombras e de luz, de trepidação e de esperança”.

“A graça invade o nosso coração no desejo de uma incisiva e evangélica mudança de vida, de modo a poder proclamar com São Paulo: ‘Para mim viver é Cristo’ (Flp 1, 21), numa comunhão de vida e de destino com Cristo”, finaliza.


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Em que ordem ler a Bíblia?


Há pessoas que abrem a Bíblia no início e começam a ler a partir do Gênesis. Elas, em geral, não passam do quinto livro. Desanimam e não retornam mais. E, o que é pior, acabam dizendo que é impossível, que não se consegue entender a Bíblia.

ABíblia não é um simples livro. Ela é uma biblioteca de 73 livros. Eles são bem diferentes uns dos outros, têm os mais diversos estilos, foram escritos em épocas muito distantes e em situações muito diferentes.

Imagine-se chegando a uma biblioteca como essa e começando a ler o primeiro livro que encontrar na estante, passando para o segundo e assim por diante. Essa leitura não pode dar certo! Há pessoas que abrem a Bíblia no início e começam a ler a partir do Gênesis. Elas, em geral, não passam do quinto livro. Desanimam e não retornam mais. E, o que é pior, acabam dizendo que é impossível, que não se consegue entender a Bíblia. Mas, isso aconteceria com qualquer biblioteca do mundo!

É necessário um Plano de leitura. No início, há muita coisa que não se entende, o que é muito natural. Até na leitura de um romance acontece isso. Não pare por causa disso, prossiga! À medida que se vai lendo, as coisas vão se esclarecendo. É uma regra de ouro: a Bíblia se explica por si mesma. Por isso, é tão importante um plano de leitura.

Existem vários planos de leitura. Todos eles são bons, porque se baseiam num princípio. Apresento aqui um determinado plano. Ele se destina àqueles que desejam começar a ler a Bíblia e não têm outros recursos a não ser conhecer a Bíblia através dela mesma. Siga a ordem indicada aqui, ela faz parte do método.

Plano de leitura do Novo Testamento:

1  1ª Carta de São João (2 vezes)
2  Evangelho de São João
3  Evangelho de São Marcos
4As pequenas cartas de São Paulo:

  • Gálatas
  • Efésios
  • Filipenses
  • Colossenses
  • 1ª e 2ª Tessalonicences
  • 1ª e 2ª Timóteo
  • Tito
  • Filêmom
5  Evangelho de São Lucas
6  Atos dos Apóstolos
7  Carta aos Romanos
8  Evangelho de São Mateus
9  1ª e 2ª Carta aos Coríntios
10  Hebreus
11  Carta de São Tiago
12  1ª e 2ª Carta de São Pedro
13  2ª e 3ª Carta de São João
14  Carta de São Judas
15  Apocalipse
16  1ª Carta de São João (3ª vez)
17  Evangelho de São João (2ª vez)

Por que começar pela 1ª carta de São João?

A primeira necessidade de um cristão é ter certeza de sua salvação. É saber que Deus o ama e o escolheu. Gratuitamente, sem nenhum merecimento seu. Deus o pôs na lista daqueles que quer salvar. Foi uma escolha gratuita! Amorosa! Sem merecimento! Saber disso nos dá a certeza da salvação. E todo cristão precisa tê-la.

Dos 73 livros da Bíblia, só essa pequena carta foi escrita com esse propósito: o de nos dar a certeza da salvação. Na conclusão de sua carta, São João diz: “Isto vos escrevi para que saibais que tendes a vida eterna, vós que credes no nome do Filho de Deus” (1 Jo 5, 13). Lendo e relendo, você vai se convencendo desta feliz realidade: você é salvo! Você é escolhido!

Leituras dos livros do Antigo Testamento

“Traze sempre na boca as palavras deste livro da lei; medita-o dia e noite, cuidando de fazer tudo o que nele está escrito; assim prosperarás em teus caminhos e serás bem-sucedido (Josué 1,8).

Comece a leitura pelos três livros sapienciais: Sabedoria, Eclesiástico e Provérbios. São livros muito próximos ao Novo Testamento e fontes de ricos ensinamentos. Leia, juntamente, o livro dos Salmos. O portal de entrada do Antigo Testamento são os Salmos. Faça deles o seu livro de cabeceira. Eu já lhe disse que vale a pena ter uma edição de bolso do Novo Testamento para você levar consigo continuamente e ir lendo nos momentos livres.

De qualquer maneira, o que quero acentuar aqui é que você deve trabalhar com os Salmos independentemente de alguma ordem específica. Sempre que se sentir impelido a isso, leia um Salmo. Faço o seu diário sobre ele, sem receio de interromper o trabalho que estiver fazendo na sequência. Salmo é como fruta: comemos a qualquer hora, pouco importando as refeições. E nunca faz mal. Sempre faz bem.

Neste ponto você já estará muito mais livre e criativo para a execução do seu diário.
Não deixe de fazê-lo. Você poderá fazer um verdadeiro estudo vivencial de cada capítulo
desses livros sapiências e de cada Salmo. Será muito rico.

Os livros do Antigo Testamento serão lidos na ordem cronológica: das origens até a
vinda de Cristo.

Plano de leitura do Antigo Testamento

1  Gênesis24  Esdras
2  Êxodo25  Neemias
3  Números26  Ageu
4  Josué27  Zaracarias
5  Juízes28  Isaías (56-66)
6  1° Samuel29  Malaquias
7  2º Samuel30  Joel
8  1º Reis31  Jonas
9  2º Reis32  Rute
10  Amós33  Tobias
11  Oséias34  Judite
12  Isaías (1-39)35  Ester
13  Miquéias36  Eclesiástico
14  Naum37  Cânticos dos Cânticos
15  Sofonias38  Jó
16  Habacuc39  Eclesiastes
17  Jeremias40  1º Macabeus
18  Lamentações41  2º Macabeus
19  Ezequiel42  Baruc
20  Abdias43  Daniel
21  Isaías (40-55)44  Sabedoria
22  1º Crônicas45  Levítico
23  2º Crônicas46  Deuteronômio

 

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Artigo extraído do livro ‘A Bíblia no meu dia-a-dia‘ de monsenhor Jonas Abib.