sábado, 13 de junho de 2020

Uma magnífica oração de São João Paulo II para os médicos

COVID

Cuidadores, maqueiros, enfermeiros, médicos, pesquisadores… Por vários meses, todos os que cuidam dos doentes estão em guerra contra um inimigo invisível: o Coronavírus. Para combater essa pandemia e cuidar dos doentes, os médicos precisam confiar no exemplo e na ajuda do Senhor. Aqui está uma bela oração de São João Paulo II, que eles podem tomar para si para ajudar a atravessar esse momento difícil

Em 23 de outubro de 1982, em um Congresso Mundial de Médicos Católicos, São João Paulo II chamou todos os médicos a tomar “Cristo como modelo supremo, aquele que era o médico da alma e frequentemente do corpo daqueles com quem ele encontrava nas estradas de sua peregrinação terrena”.

Que Cristo constantemente vos ilumine sobre a dignidade de vossa profissão e sugira, em todas as circunstâncias, atitudes e passos que uma coerência linear de fé mostra e exige”, declarou o pontífice.

Dezoito anos depois, no Congresso Internacional de Médicos Católicos, ele fez uma bela oração pelos médicos, para que eles pudessem recitá-la diariamente para pedir a Deus que os ajudasse em sua missão. Eis a oração:

Senhor Jesus, Médico Divino, que na tua vida terrena tiveste especial atenção pelos que sofrem e confiaste aos teus discípulos o ministério da cura, faz-nos sempre prontos a aliviar as dores dos nossos irmãos.

Faz que cada um de nós tenha consciência da grande missão que nos foi confiada e se esforce sempre por ser, no seu serviço diário, um instrumento do teu amor misericordioso.

Ilumina as nossas mentes, guia as nossas mãos e dá-nos corações atentos e compassivos. Faz que em cada doente saibamos descobrir as feições do teu Divino Rosto.

Tu que és a Vida, concede-nos o dom de te saber imitar cada dia, não somente como médicos do corpo, mas como médicos da pessoa inteira, ajudando a quem está doente a percorrer com fé o seu caminho terreno até ao momento do seu encontro contigo.

Tu que és a Verdade, dá-nos sabedoria e ciência para penetrar no mistério do homem e do seu destino transcendente, enquanto nos aproximamos dele para descobrir as causas dos seus males e encontrar os remédios adequados.

Tu que és a Vida, concede-nos o dom de anunciar e testemunhar na nossa profissão o “Evangelho da Vida”, comprometendo-nos a defendê-la sempre, desde a concepção ao seu fim natural, e a respeitar a dignidade de cada um dos seres humanos, especialmente aqueles mais débeis e necessitados.

Transforma-nos, Senhor, em bons samaritanos, prontos a acolher, a cuidar e consolar todos os que encontramos na nossa profissão. Tendo como exemplo os santos médicos que nos precederam, ajuda-nos a contribuir generosamente com o nosso trabalho para a constante renovação e melhoramento das estruturas sanitárias.

Abençoa o nosso estudo e a nossa profissão, ilumina a nossa investigação e os nossos ensinamentos. E por te termos amado e servido constantemente a Ti na pessoa dos nossos irmãos que sofrem, no fim do nosso peregrinar na terra, concede-nos poder contemplar o teu rosto glorioso e experimentar a satisfação do encontro contigo no teu Reino de alegria e paz infinitas.

Amém

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Oração a Maria contra o racismo

PRAYING
Pascal Deloche | GODONG

A prece foi sugerida por um arcebispo americano depois da morte de George Floyd, que gerou protestos contra o racismo nos Estados Unidos e em várias partes do mundo

“O racismo é uma blasfêmia contra Deus, que cria todos os homens e mulheres com igual dignidade”.

Foi com a frase acima que o Arcebispo de Los Angeles (Estados Unidos), Dom José Gomez, reagiu à morte de George Floyd – um homem negro de 46 anos – por um policial branco em Minneapolis, no dia 25 de maio de 2020.

Depois do ocorrido, protestos contra o racismo tomaram conta dos Estados Unidos e de várias partes do mundo.

Em seu site, Arquidiocese de Los Angeles afirmou que trabalha para acabar com a justiça racial e sugeriu aos fiéis uma oração à Virgem Maria contra o racismo.

Reze você também:

Maria, amiga e mãe de todos, através de teu Filho, Deus encontrou um caminho para se unir a todos os seres humanos, chamados a ser um só povo, irmãs e irmãos entre si.

Pedimos tua ajuda ao recorrer ao Teu Filho, buscando o perdão pelas vezes nas quais falhamos em nos amar e nos respeitar.

Pedimos a tua ajuda para obter de teu Filho a graça que precisamos para vencer o mal do racismo e construir uma sociedade justa.

Pedimos a tua ajuda para seguir o teu Filho, para que o preconceito e a animosidade não infectem mais a nossa mente ou coração, mas sejam substituídos pelo amor que respeita a dignidade de cada pessoa.

Mãe da Igreja, o espírito de teu Filho Jesus encoraja nossos corações: rogai por nós.

Amém.

 

Com informações de ACI Digital 


segunda-feira, 8 de junho de 2020

Por que João Paulo II queria que Maria fosse chamada de “Mãe da Igreja”

MOTHER MARY

São João Paulo II foi um dos mais fortes defensores da celebração oficial do papel de Maria como mãe de todos os fiéis cristãos

Em 2018, o Papa Francisco instituiu uma celebração anual na segunda-feira seguinte à festa de Pentecostes chamada “Maria, Mãe da Igreja”.

O decreto que anuncia a celebração explica que: “Esta celebração nos ajudará a lembrar que o crescimento da vida cristã deve estar ancorado no Mistério da Cruz, na oblação de Cristo no banquete eucarístico e na Mãe do Redentor e Mãe dos Redimidos, a Virgem, que faz sua oferta a Deus.”

Embora a celebração litúrgica seja nova, o desejo de reconhecimento oficial desse título de Maria teve muitos apoiadores ao longo dos anos.

Por exemplo, São João Paulo II defendeu esse título em várias ocasiões. Ele o mencionou pela primeira vez em sua encíclica Redemptoris Mater, onde recordou as palavras de São Paulo VI em referência a este título.

Durante o Concílio, o Papa Paulo VI afirmou solenemente que Maria é Mãe da Igreja, «isto é, Mãe de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos Pastores». Mais tarde, em 1968, na Profissão de Fé conhecida com o nome de «Credo do Povo de Deus», repetiu essa afirmação de forma ainda mais compromissiva, usando as palavras: «Nós acreditamos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja, continua no Céu a sua função maternal em relação aos membros de Cristo, cooperando no nascimento e desenvolvimento da vida divina nas almas dos remidos».

Mais tarde, ele explicou em uma audiência geral em 1997 que: “o Papa Paulo VI gostaria que o próprio Concílio Vaticano II proclamasse ‘Maria Mãe da Igreja, isto é, de todo o Povo de Deus, dos fiéis e de seus Pastores. ‘Ele fez isso sozinho em seu discurso no final da terceira sessão do Conselho (21 de novembro de 1964), pedindo também que ‘a partir de agora a Santíssima Virgem seja honrada e invocada com este título por todo o povo cristão’.”

Em particular, São João Paulo II favoreceu fortemente esse título de Maria desejando que a Igreja olhasse para Maria como um modelo de imitação. Ele explica isso primeiro em Redemptoris Mater.

[Na] sua nova maternidade no Espírito, Maria abraça todos e cada um na Igreja e abraça todos e cada um através da Igreja. Nesse sentido, Maria, Mãe da Igreja, também é o modelo de Igreja. De fato, como Paulo VI espera e pede, a Igreja deve extrair “da Virgem Mãe de Deus a forma mais autêntica de perfeita imitação de Cristo”.

Os cristãos erguem os olhos com fé para Maria no curso de sua peregrinação terrena, eles “se esforçam para crescer em santidade”. Maria, a exaltada Filha de Sião, ajuda todos os seus filhos, onde quer que estejam e qualquer que seja sua condição, a encontrarem em Cristo o caminho para a casa do Pai.

A Igreja, então, vê Maria como um exemplo supremo de fidelidade, mas também de maternidade. O amor de Maria por toda a humanidade direciona o amor da Igreja e mostra à Igreja como cuidar de seus filhos.

João Paulo II acreditava firmemente que essa denominação de Maria era vital para o ministério da Igreja e teria o prazer de vê-la enfatizada nesta nova celebração litúrgica que se segue ao Pentecostes.


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3 maneiras de fazer amizade como Maria

FRIENDSHIP


A mãe de Jesus certamente conhecia algumas das lutas que enfrentamos

A amizade é crucial para o bem-estar humano. Quando não temos pelo menos algumas pessoas em quem confiar e nos apoiar, a vida pode parecer muito sombria.

Mas não há solução fácil se você estiver tentando encontrar bons amigos. O processo pode levar muito tempo, energia, tentativa e erro – e vulnerabilidade.

No entanto, conheço alguém que pode entender o que você está passando: Maria, a mãe de Jesus.

Um livro chamado Quiet Places with Mary me ajudou a pensar sobre o que Maria poderia ter passado emocionalmente em sua vida, especialmente com relação à amizade.

Pode parecer estranho refletir sobre o fato de que a mãe de Jesus pode ter tido dificuldade com amizades e em ser aceita, mas não é tão estranho quando você pensa nos elementos extraordinários de sua vida e em quantas pessoas rejeitaram seu filho.

Existem três conflitos que podemos enfrentar quando se trata de amizade, os quais Maria provavelmente também experimentou. Veja como Ela pode nos ajudar.

1
NÃO TER AMIGOS PRÓXIMOS

Talvez você tenha se mudado recentemente. Talvez alguns amigos tenham se afastado.

Se você estava se esforçando para encontrar ou manter boas amizades antes da quarentena, pode estar se sentindo desconectado e frustado agora.

Geralmente, com amigos próximos, você tem coisas em comum que facilitam a conversa e o vínculo. Mas, se você não tem ninguém por perto com quem possa conversar ou tomar um café para descontrair, fica difícil.

Maria conheceu bem esse sentimento ao se mudar inesperadamente para o Egito com José e o menino Jesus, para escapar da matança de Herodes.

Podemos imaginar que era difícil fazer amigos em um novo lugar e em uma cultura diferente. Não só isso, Ela estava se acostumando a cuidar de seu novo bebê. Ela não tinha sua família ou uma rede de amigos por perto para ajudá-la e precisava se adaptar a tudo que vem com a mudança.

Maria, você sabe como é se sentir isolada. Por favor, ajude-me a conectar-me com as pessoas e a me sentir menos sozinho(a) durante este período da minha vida.

2
SENTIR QUE TEUS AMIGOS(AS) NÃO TE ENTENDEM

Você já esteve com um grupo de pessoas que conhece e se sentiu mais solitário(a) do que quando está sozinho(a)?

Ou talvez um amigo faça alguns comentários que te ajudem a perceber que essa pessoa não te entende?

Esses momentos são dolorosos, porque todos queremos ser verdadeiramente conhecidos e compreendidos por pessoas próximas a nós.

Maria também deve ter se sentido assim, pois levava uma vida muito comum e extremamente extraordinária.

Maria criou o Messias.

Que outra mãe poderia se relacionar com sua experiência? Pense em tudo o que a vida de casada de Maria implicava. Foi marcada por uma certa quantidade de escândalo devido ao momento de sua gravidez e, embora ela tenha tido amigos em Nazaré, ninguém seria capaz de entender a missão de seu filho ou o papel dela.

Além disso, Maria era uma mulher boa (e livre de pecado!). Se as pessoas às vezes nos rejeitam ou nos evitam porque tentamos viver uma vida moral, quanto mais elas teriam evitado ou fofocado sobre Maria?

E depois que José morreu, Maria não teve ninguém que pudesse apoiá-la completamente ou entendê-la da mesma maneira, especialmente enquanto Jesus estava no ministério público.

Maria, você sabe como é se sentir incompreendida. Por favor, ajude-me a encontrar amigos que me compreendam e me aceitem como eu sou.

3
NÃO SABER SE TEUS AMIGOS ESTARÃO AO TEU LADO NOS MOMENTOS DIFÍCEIS

Queremos ter pessoas que nos ajudem quando estivermos enfrentando dificuldades na vida.

Você pode ter se decepcionado com seus amigos(as) antes, caso você tenha passado por algo e eles simplesmente ignoraram.

Se for esse o caso, Maria nos mostra como um bom amigo age em uma amizade: de forma desinteressada e gratuita.

Lembra na Anunciação, quando Maria descobre que ela será a mãe de Jesus? O anjo também diz a Ela que sua prima Isabel está grávida. O que Maria faz imediatamente? Ela viaja para visitar sua prima e fica para ajudá-la até o bebê nascer. É isso que bons amigos fazem.

Maria, você sabe como é ser uma boa amiga. Por favor, ajude-me a amar meus amigos de forma desinteressada e, por favor, ajude-me a encontrar amigos que também me amem de forma desinteressada.

Não estamos sozinhos nisso tudo. Maria, rogai por nós!


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Oração de João Paulo II a Maria, Mãe da Unidade

Our Lady of Czestochowa

Há mais de 40 anos, o pontífice polonês pediu a Maria que nos ensinasse a alcançar a unidade, protegendo a paz e a justiça neste mundo

Em 1979, São João Paulo II visitou o santuário de Nossa Senhora de Czestochowa, na Polônia, e fez um solene ato de consagração à Virgem Maria. Era uma época tumultuada no mundo inteiro, especialmente na Polônia, que ainda estava sob ocupação comunista.

Havia um clima de grande tensão e São João Paulo II instou a paz e a justiça por todos os lados, fazendo o possível para unir o povo sob a liderança de Jesus Cristo.

Perto do final desta oração de consagração, o pontífice polonês voltou-se para Maria, Mãe da Unidade, e colocou diante dela tudo o que estava em seu coração. Aqui está trecho desta oração, que ainda é pertinente, pois faz uma súplica pela união do mundo em torno da paz.

“Faz que, por todos os meios de conhecimento, de respeito recíproco, de amor e de colaboração comum nos vários campos, possamos redescobrir pouco a pouco o desígnio divino daquela unidade em que nós devemos entrar e introduzir a todos, para que o único redil de Cristo reconheça e viva a sua unidade na terra. Mãe da unidade, ensina-nos sempre os caminhos que a ela conduzem.

Permite-nos que, no futuro, vamos ao encontro de todos os homens e de todos os povos , que por caminhos de religiões diversas procuram a Deus e O querem servir. Ajuda-nos a todos a que anunciemos a Cristo e revelemos a força e a sabedoria divina (1 Cor. 1, 24) escondida na Sua Cruz. Tu, que a primeira de todos, O revelaste em Belém não só aos simples e fiéis pastores, mas também aos sábios de países distantes.

Mãe do Bom Conselho! Indica-nos sempre como devemos servir o homem, a humanidade em cada nação, como conduzi-la pelos caminhos da Salvação. Como proteger a justiça e a paz no mundo, continuamente ameaçado de vários lados. Quão vivamente desejo, por ocasião deste encontro de hoje, confiar-Te todos estes difíceis problemas das sociedades, dos sistemas e dos Estados, problemas que não podem ser resolvidos com o ódio, a guerra e a autodestruição, mas só com a paz, com a justiça e com o respeito dos direitos dos homens e das nações.

Ó Mãe da Igreja! Faz que a Igreja goze de liberdade e paz no cumprimento da sua missão salvífica, e que para este fim atinja nova maturidade de fé e de unidade interior. Ajuda-nos a vencer as oposições e as dificuldades. Ajuda-nos a descobrir de novo toda a simplicidade e dignidade da vocação cristã (…).

Quantos problemas deveria, ó Mãe, ter-Te apresentado neste encontro, catalogando-os um a um. Confio-os todos a Ti, porque Tu os conheces melhor que nós e de todos tomas cuidado.”


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sábado, 30 de maio de 2020

A importância do quadro Nossa Senhora Auxiliadora

Texto completo abaixo:
*A importância do quadro de Nossa Senhora Auxiliadora*

“Aprofundemos o significado do quadro de Nossa Senhora Auxiliadora e a sua importância para a nossa vida espiritual”
O belíssimo quadro de Nossa Senhora Auxiliadora, que está no altar-mor da Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Turim, na Itália, é uma obra monumental, que tem mais de sete metros de altura por quadro de largura. A obra foi idealizada por São João Bosco, mais conhecido como Dom Bosco, e pintada por Tommaso Lorenzone. Durante seu trabalho, o pintor declarou a um sacerdote: “Não é obra minha. Não sou eu que o estou pintando. Outra mão parece guiar minha mão” 1 . Devido ao seu tamanho e à sua riqueza de detalhes, o quadro ficou pronto em nada menos que três anos de trabalho árduo de Lorenzone. São João Bosco assim descreve a obra idealizada por ele:

“A Virgem domina num mar de luz e majestade. Está rodeada de uma multidão de anjos que a homenageiam como rainha. Na mão direita, segura o cetro, que é símbolo do seu poder. Na mão esquerda, segura o Menino que tem os braços abertos, oferecendo assim as suas graças e a sua misericórdia a quem recorre à sua augusta Mãe. À volta e em baixo estão os santos apóstolos e os evangelistas. Eles, transportados por um doce êxtase, quase exclamam: Regina Apostolorum, ora pro nobis. Olham atônitos a Virgem Maria. No fundo da pintura, está a cidade de Turim, com o santuário de Valdocco em primeiro plano e com o de Superga ao fundo. Aquilo que tem maior valor no quadro é a ideia religiosa, que gera uma devota impressão em quem o olha” 2 .

A Virgem Maria e a geração dos membros da Igreja
É providencial que, neste ano, a festa de Nossa Senhora Auxiliadora seja comemorada naquela que seria, na Liturgia antiga, a Oitava de Pentecostes, pois, como descreve Dom Bosco, os apóstolos e evangelistas quase exclamam: Regina Apostolorum, ora pro nobis (Rainha dos Apóstolos, rogai por nós). Neste tempo, em que se encerra o tempo Pascal com a solenidade de Pentecostes, recordar o título de Rainha dos Apóstolos nos ajuda a compreender a importância da Virgem Maria, naquele que foi o nascimento dos membros da Igreja.

No mistério da Anunciação, Nossa Senhora já tinha gerado a Cabeça do Corpo Místico da Igreja, que é Jesus Cristo, mas faltava gerar os seus membros. No Pentecostes, aconteceu como que o parto desses novos membros da Igreja, gerados no seio virginal de Maria Santíssima. Não poderia ser diferente, segundo nos ensina São Luís Maria Grignion de Montfort:

“Não há mãe que dê à luz a cabeça sem os membros ou os membros sem a cabeça: seria uma monstruosidade da natureza. Do mesmo modo, na ordem da graça, a cabeça e os membros nascem da mesma mãe, e, se um membro do Corpo Místico de Jesus Cristo, isto é, um predestinado, nascesse de outra mãe que Maria, que produziu a cabeça, não seria um predestinado, nem membro de Jesus Cristo, e sim um monstro na ordem da graça” 3 .

Essa geração é espiritual, por isso não necessitava da presença física da Mãe da Igreja. Mas sua presença foi providencial para que compreendamos a necessidade da Virgem Maria e do Espírito Santo em nossa geração espiritual como membros da Igreja. Essa geração espiritual, como membros da Igreja de Cristo, aconteceu no dia do nosso batismo. No entanto, o cuidado materno da Virgem Maria continua por toda a nossa vida. Nesse sentido, Santo Agostinho diz:

“…todos os predestinados, para serem conformes à imagem do Filho de Deus, são, neste mundo ocultos no seio da Santíssima Virgem, e aí guardados, alimentados, mantidos e engrandecidos por esta boa Mãe, até que ela os dê à glória, depois da morte, que é propriamente o dia de seu nascimento, como qualifica a Igreja a morte dos justos. Ó mistério de graça, que os réprobos desconhecem e os predestinados conhecem muito pouco” 4 .

O quadro de Nossa Senhora Auxiliadora em nossa vida espiritual
Tendo em vista esta geração espiritual dos membros da Igreja, que começou no dia de Pentecostes, o quadro de Nossa Senhora Auxiliadora nos ajuda a compreender essa verdade fundamental: temos uma Mãe, que nos gerou e que cuida de nós. Maria Santíssima é nosso auxílio em todas as necessidades temporais e espirituais.

Nossa Senhora não se esquece de nós nem sequer por um instante, mas está sempre atenta, com seu olhar materno. Entretanto, infelizmente, nós sempre nos esquecemos dela. Por isso, da mesma forma que temos fotos de nossos entes queridos para lembrar-nos deles, tenhamos sempre diante de nós quadros, estampas, pinturas ou imagens da Virgem Maria, Auxiliadora dos Cristãos. Ao olhar para uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, recordemos sempre que temos uma Mãe que não nos desampara, mas cuida de nós especialmente nos momentos de maior necessidade e nos conduz sempre para seu Filho Jesus Cristo, para a salvação eterna.

Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por 
nós!

Fonte: admiravelsenhora.blogspot.com 

sexta-feira, 22 de maio de 2020

Nossa Senhora Menina: uma devoção quase esquecida



Poucos são os que veneram a bem-aventurada Virgem Maria em sua infância “cheia de graça”. Mas isso está mudando

A infância da Virgem Maria é um tema largamente desconhecido pelos católicos, sendo mesmo difícil encontrar homilias a respeito disso. O que encontramos, no mais das vezes, é alguma imagem de Sant’Ana com Maria no colo. De resto, os pregadores da Igreja optaram por outros temas marianos que propriamente os primeiros anos da Mãe de Jesus, algo que começa a mudar agora com uma percepção mais apurada do que significou a concepção milagrosa de Nossa Senhora e o seu desejo, já desde pequena, de se entregar totalmente a Deus.

A Igreja celebra todo dia 21 de novembro a festa litúrgica da Apresentação de Nossa Senhora no Templo. Segundo a Tradição, Maria foi concebida por um milagre, pois seus pais já não podiam ter mais filhos, devido à idade avançada. Além disso, acredita-se que Sant’Ana era estéril. Em todo caso, o fato é que, após uma relação natural com seu marido, aquela que era tida por estéril concebeu a futura Mãe do Salvador, a Virgem Santíssima, anunciada pelos profetas. E, para cumprir essa missão, Maria “foi preservada imune de toda mancha de pecado original” desde o primeiro instante da sua concepção (Pio IX, Ineffabilis Deus, n. 41).

Os pais de Maria prometeram entregá-la para Deus, uma vez que a idade avançada dos dois era uma dificuldade grave para a educação da menina. Com três anos de idade, ela foi levada ao Templo. Para surpresa do casal, Maria não chorou, nem olhou para trás ao subir, alegremente, os degraus do Templo, onde passaria a infância servindo a Deus. De fato, o coração de Nossa Senhora já ardia de amor por Deus, de modo que ela não podia entristecer-se naquele momento. Ao contrário, ela deveria alegrar-se muito por começar a cumprir a vocação para a qual estava destinada.


A apresentação de Maria no Templo envolve um mistério precioso. Para demonstrar a grandiosidade desse momento, a própria Virgem apareceu a uma irmã concepcionista, chamada Madalena, que rezava diante do presépio do Menino Jesus, dizendo-lhe:  “Concederei todas as graças que me pedirem às pessoas que me honrarem em minha infância, pois é uma devoção muito esquecida”. Malgrado o caráter privado dessa aparição, que aconteceu a 6 de fevereiro de 1840, no México, chama atenção o pedido da Virgem Santíssima.

A base principal para a veneração da infância da Virgem Maria é o dogma da Imaculada Conceição. Maria é imaculada porque é cheia de graça, isto é, agradável a Deus. A graça de Maria é algo que extrapola nosso entendimento, uma vez que Deus a agraciou admiravelmente, “mais do que todos os Anjos e a todos os Santos, da abundância de todos os dons celestes, tirados do tesouro da sua Divindade” (Pio IX, Ineffabilis Deus, n. 2). De fato, a sua inocência e pureza são tão perfeitas que, depois de Deus, não há outra pessoa que seja tão santa quanto Maria. E somente Deus é capaz de entender o profundo mistério que a cerca desde o ventre de Sant’Ana.

A razão principal para a graça extraordinária de Maria é a maternidade divina. Deus a preparou para ser Mãe de Jesus tanto no corpo quanto no espírito. A sua alma foi formada por uma graça especial para que pudesse receber a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade com um amor especialíssimo. “O Poderoso fez por mim maravilhas”, canta Nossa Senhora. Neste sentido, devemos distinguir a graça em Jesus, Deus encarnado, que é a fonte de toda graça; a graça dos anjos e dos santos; e, finalmente, a graça de Maria, que é algo singular no mundo das criaturas de Deus.

Para uma noção geral, “a graça santificante é um dom divino, uma qualidade sobrenatural infundida por Deus em nossa alma que nos dá uma participação física e formal da mesma natureza divina fazendo-nos semelhantes a ele em sua própria razão de deidade” [1]. Isso significa que, pela graça, nós estamos unidos a Deus na qualidade de seus filhos e amigos, podendo desfrutar da felicidade divina e gerar outros frutos de santidade, coisa de que não seríamos capazes por nossa própria conta e força. Em Maria, por sua vez, essa graça existe em plenitude, numa união inalcançável. É o que explica o padre Garrigou-Lagrange:

A maternidade divina exige uma íntima amizade com Deus já que é uma lei da natureza e um preceito que a mãe ame seu filho e que o filho ame a sua mãe. É necessário, pois, que Maria e seu filho se amem mutuamente. E uma vez que essa maternidade é uma maternidade sobrenatural, requer uma amizade sobrenatural e, portanto, santificante, pois do fato de que Deus ama uma alma Ele a torna amável aos seus olhos e a santifica [2].

Maria precisa de um amor divino para poder amar devidamente o seu filho, que é a própria Divindade encarnada. Por isso Deus a beneficiou com inúmeros privilégios, razão pela qual nós, católicos, a louvamos e veneramos. Deus foi quem a honrou primeiro. A devoção à infância da Virgem Maria é, portanto, a devoção às maravilhas que Deus realizou nessa menina, cuja alma foi agraciada por um amor prodigioso, numa dimensão inimaginável. É, pois, bem verdade aquela fórmula tradicional, que diz: De Maria nunquam satis – “Sobre Maria jamais se dirá o bastante”. Se até mesmo dormindo ela crescia em graça, conforme dizem alguns autores, com que espanto não a venerou o anjo Gabriel no dia da anunciação? Peçamos a Ela que, nos seus sonhos de amor a Deus, lembre-se de nós e de nossas misérias, a fim de que sejamos santificados pela sua intercessão poderosa.


Padre Paulo Ricardo 

Referências

  1. Antonio Royo Marín. Ser ou não ser santo: eis a questão. Campinas: Ecclesiae, 2016, p. 86.
  2. Reginald Garrigou Lagrange. A Mãe do Salvador e a nossa vida interior. Campinas: Ecclesiae, 2017, p. 27.

Reflexões de uma consagrada à Virgem Maria

JAK ZOSTAĆ DZIEWICĄ KONSEKROWANĄ
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“Escolher a consagração à Santíssima Virgem é escolher um caminho incrível para o coração de Jesus”

Sou consagrada a Nossa Senhora faz cerca de 4 anos. Todos nós sabemos que a consagração é um compromisso sério e diário. Contudo, também sabemos  o quão humanos nós somos, e o quão fracos e frágeis ficamos diante de alguma dificuldade ou adversidade da nossa história de vida. E acreditem, a Virgem Maria nos é fiel, mesmo quando não conseguimos ser fiéis neste compromisso com ela.
Escolher a consagração à Santíssima Virgem é escolher um caminho incrível para o coração de Jesus. É por meio dela que chegamos ao coração de Jesus Cristo e é por meio dela que criamos intimidade com Ele.
Estes dias, expus minha opinião em uma publicação ao ver um irmão de outra religião dizer que isso não passa de uma mera adoração a imagens, e que atribuímos a Maria um poder que Ela não tem – o poder de realizar milagres.  Expliquei a ele, que Maria não precisa ter super-poderes para que eu possa amá-la com todo o coração. Expliquei também que a Virgem Maria não realiza milagres, contudo é Ela quem intercede junto ao Seu Filho, Jesus, e junto a Deus Pai pelos nossos milagres, para que eles aconteçam em nossas vidas, assim como nas bodas de Caná. É dela que o demônio corre! É ela quem teve uma espada que transpassou sua própria alma ao ver o Seu Filho pregado em uma Cruz, para a nossa salvação. Na Cruz, Jesus Cristo disse: “Mulher, eis aí o filho. Filhos, eis aí a Tua Mãe”.
Para mim, tem sido uma honra tê-la como Mãe, e contar a ela todos os dias sobre aquilo que eu trago no mais íntimo do meu coração. Tem sido uma honra, muitas vezes, não honrar com meu compromisso diário durante estes 4 anos, e mesmo assim, tê-la ali, sempre pronta para me escutar e para interceder pelos meus milagres.
Se você não acredita na Virgem Maria, se você deixa sair de sua boca palavras ofensivas sobre ela, lembre-se destas minhas palavras no dia em que o Seu Imaculado Coração triunfar: “Temos uma advogada fiel, temos uma intercessora que leva até o Seu Filho Jesus os nossos milagres. Temos uma Mãe, que jamais nos deixará órfãos, e temos uma Mãe que nos prometeu que o Seu Imaculado Coração triunfará!”.
Sou toda tua, Maria!



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Por que São João Paulo II propôs os mistérios luminosos do rosário



Ele não foi o primeiro: a inspiração pode ter vindo de um santo que ele canonizou no ano anterior à proposta

Quando nós, católicos, rezamos o rosário, vamos meditando sobre vários acontecimentos da vida de Jesus Cristo enquanto repassamos, em filial união com Maria, os assim chamados mistérios da Salvação. Essa forma de oração e devoção mariana foi desenvolvida em 1214 por São Domingos de Gusmão.

Originalmente, São Domingos desenvolveu os mistérios do rosário como um método catequético para ensinar a fé da Igreja às pessoas desencaminhadas pela heresia albigense. Ele agrupou os mistérios em gozosos, dolorosos e gloriosos, com a intenção de ajudar o fiel cristão a se envolver em momentos essenciais da vida de Jesus.

Enquanto refletia sobre esses mistérios, São João Paulo II observou uma “lacuna”. Em 2002, ele escreveu a encíclica “Rosarium Virginis Mariae”, na qual comenta:

“Para ressaltar o caráter cristológico do rosário, considero oportuna uma incorporação que, embora fique à livre consideração dos indivíduos e da comunidade, lhes permita contemplar também os mistérios da vida pública de Cristo desde o Batismo até a Paixão”.

São João Paulo II queria que o rosário se tornasse um “compêndio do Evangelho”, incluindo uma meditação que “também se volte a momentos particularmente significativos da vida pública”. Foram então propostos os “mistérios de luz” ou “mistérios luminosos”:

1) O Batismo no Jordão

2) As bodas de Caná

3) A proclamação do Reino de Deus

4) A Transfiguração

5) A instituição da Eucaristia

É interessante saber que, embora não tenha manifestado publicamente a fonte desta inspiração, São João Paulo II beatificou, um ano antes, em 2001, o sacerdote carmelita São Jorge Preca, de Malta. A biografia do Vaticano destaca que este sacerdote, “em 1957, sugeriu o uso de cinco mistérios de luz para a recitação privada do rosário”.

De acordo com os carmelitas, a divisão de Preca dos mistérios da luz guarda notável semelhança com a proposta de São João Paulo II:

1) Depois do batismo de Jesus no Jordão, Ele foi levado ao deserto.

2) Jesus se revela como verdadeiro Deus pela sua palavra e milagres.

3) Jesus ensina as Bem-Aventuranças no monte.

4) Jesus se transfigura na montanha.

5) Jesus tem sua Última Ceia com os Apóstolos.

São João Paulo II nunca afirmou que São Jorge Preca tivesse inspirado a sua decisão, mas ambos os santos viram a oportunidade de fazer com que o rosário refletisse de modo mais completo a vida de Cristo.

Uma sugestão, não uma obrigação

Além disso, embora a introdução dos mistérios luminosos do rosário tenha o peso do respaldo papal, São João Paulo II também deixou claro que essa proposta não é uma imposição à devoção pessoal.

“Esta indicação não pretende limitar uma conveniente liberdade na meditação pessoal e comunitária, segundo as exigências espirituais e pastorais e, principalmente, as coincidências litúrgicas que podem sugerir oportunas adaptações. O realmente importante é que o rosário seja compreendido e experimentado cada vez mais como um itinerário contemplativo”.

São João Paulo II, em suma, quis facilitar a oração dos indivíduos. Ele percebeu nos mistérios luminosos uma forma de ajudar os fiéis a entrarem mais a fundo na vida de Jesus e uma “verdadeira introdução à profundidade do Coração de Cristo, abismo de regozijo e de luz, de dor e de glória”.


https://pt.aleteia.org/2017/05/23/por-que-sao-joao-paulo-ii-propos-os-misterios-luminosos-do-rosario/


O rosário não desceu pronto do céu: foi aprimorado ao longo dos séculos

ROSARY


Pe. Gabriel Vila Verde responde a quem contesta a “legitimidade” dos mistérios luminosos, propostos por São João Paulo II

Ope. Gabriel Vila Verde escreveu em seu Facebook a respeito do aprimoramento da oração do rosário ao longo dos séculos, contextualizando os fundamentos da proposta de São João Paulo II de se acrescentarem os mistérios luminosos:

São João Paulo II foi extremamente sábio ao pedir a meditação dos mistérios luminosos. Afinal de contas, o rosário não é uma simples repetição de orações, mas a contemplação da Vida de Cristo. Antigamente se meditava Jesus no templo com 12 anos e já se pulava para a agonia no Horto das Oliveiras. Iluminado pelo Espírito Santo, o Papa nos deu a oportunidade de meditar também a vida pública de Jesus. Seus milagres, Sua pregação, os sinais de Sua divindade etc. Assim, o rosário ficou completo. É verdadeiramente a Bíblia nas mãos do povo simples.

O rosário, assim como a Bíblia, não desceu pronto do céu. Foi uma oração aprimorada ao longo dos séculos.

Começou com a primeira parte da Ave-Maria; depois, no século XIV, foi acrescentada a segunda. Com São Beda (+735), veio a ideia de colocar sementes num cordão. Depois, com São Domingos, um cordão cheio de nós, onde ele rezava mil Ave-Marias diariamente. Em 1408, um monge cartuxo dividiu o saltério em 15 dezenas, precedidas por um Pai-Nosso. Posteriormente, o beato Alano de La Roche compôs a contemplação dos mistérios.

Não se sabe ao certo quando foi acrescentada a Salve Rainha. Os franciscanos rezavam um rosário de 7 mistérios, meditando as alegrias de Maria. Em suas aparições, Nossa Senhora pediu a oração do rosário. Com o Papa São João Paulo II, veio a RECOMENDAÇÃO de se rezar os mistérios luminosos. É uma história, construída aos poucos, sob o comando do Espírito Santo, o qual não dorme, nem abandona a Igreja. Quem fala em Tradição deveria também se aprimorar nos estudos.


https://pt.aleteia.org/2020/05/21/o-rosario-nao-desceu-pronto-do-ceu-foi-aprimorado-ao-longo-dos-seculos/?utm_campaign=NL_pt&utm_source=daily_newsletter&utm_medium=mail&utm_content=NL_pt